A música de Rihanna foi a trilha sonora da coragem e da identidade em meio à repressão em Teerã
Crescer como homem gay em Teerã, sob o olhar rigoroso da lei islâmica e da temida polícia da moralidade, é viver em um constante estado de ocultação e medo. Majid Parsa, médico e agora residente em Londres, compartilha sua história de resistência e liberdade, onde a música de Rihanna foi mais que trilha sonora: foi um símbolo de esperança e emancipação.
Um despertar cultural na clandestinidade
Em um país onde a homossexualidade é proibida e perseguida, Majid precisou esconder sua sexualidade desde a adolescência. Seus encontros com outros homens e mulheres trans aconteciam em festas secretas, organizadas em apartamentos onde a música, as luzes e a energia dos corpos livres criavam um refúgio em meio à repressão.
Foi em uma dessas festas que Rihanna entrou em sua vida, com a batida contagiante de “Don’t Stop the Music”. A canção, proibida oficialmente, pulsava alto nos sistemas de som improvisados, unindo aqueles que ansiavam por liberdade. “Quando a música começou, o ambiente se transformou. Era como se eu finalmente pudesse ser eu mesmo”, relembra Majid.
Rihanna como símbolo de resistência e identidade
Para Majid e seus amigos, Rihanna, Britney Spears e Madonna eram muito mais que ícones pop. Elas eram a voz de uma geração que lutava contra o silêncio e o medo. A cada batida, a cada refrão, a sensação de pertencimento e coragem se fortalecia. “‘Don’t Stop the Music’ virou nosso hino, a música que nos fazia sentir vivos, mesmo quando tudo ao redor dizia o contrário”.
Essa conexão com a cultura pop ocidental ajudou Majid a enfrentar o peso da repressão familiar e social, dando-lhe forças para buscar uma vida mais autêntica. A música não só embalava as festas clandestinas, mas também era um ritual de afirmação, um ato político silencioso contra o regime.
Do Irã para o mundo: a busca por liberdade
Após anos vivendo entre o medo e a esperança, Majid decidiu deixar o Irã. Hoje, em Londres, ele trabalha como médico e vive ao lado de seu parceiro, mantendo sua identidade aberta e celebrada. No entanto, a realidade dura de muitos que permanecem em Teerã ainda é marcada pela ocultação e repressão.
Recentes eventos políticos, como a morte do líder supremo do Irã, reacenderam a esperança de mudanças para a comunidade LGBTQIA+ que ainda luta por visibilidade e direitos. “Sinto uma alegria imensa, como se as festas que vivemos no passado pudessem um dia ser celebradas à luz do dia, sem medo”.
Reflexão final
A história de Majid nos lembra que a música pode ser um poderoso instrumento de libertação e autoafirmação, especialmente para aqueles que vivem à margem. Em contextos onde a identidade é criminalizada, encontrar um hino para chamar de seu é um ato de resistência e amor-próprio.
Para a comunidade LGBTQIA+, especialmente em lugares de opressão, essa narrativa reforça a importância da cultura como espaço de pertencimento e força. A jornada de Majid inspira a continuarmos lutando por um mundo onde todos possam dançar livremente, sem medo, celebrando suas verdades.
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