Espaço fundamental para a população LGBTQIA+ natalense sofre com sucateamento e suspensão dos atendimentos
No mês do orgulho LGBTQIA+, uma notícia impactante mexe com a comunidade de Natal, RN: o Centro Municipal de Cidadania LGBT, espaço crucial para a garantia dos direitos e acolhimento da população LGBTQIA+ local, encerrou suas atividades presenciais devido a problemas estruturais e falta de apoio político.
Precariedade que não é de hoje
Há anos, o Centro sofre com a precarização de sua estrutura física e institucional. O prédio, alugado pela Prefeitura, apresenta sérios danos como infiltrações, mofo, goteiras e rachaduras que se agravaram com as recentes chuvas fortes na cidade, colocando em risco tanto os servidores quanto os usuários do serviço. Apesar do aluguel alto, a manutenção nunca foi prioridade para a gestão municipal.
Para Lune Jací, militante e usuária do Centro, essa realidade é constante: “Desde que comecei a frequentar, vi o abandono e as condições ruins do espaço. O Centro é um lugar de resistência e fortalecimento para nós, e vê-lo sucateado é muito doloroso.”
Por que o Centro Municipal de Cidadania LGBT é tão importante?
Esses centros são conquistas históricas do movimento LGBTQIA+ no Brasil, previstos desde 2009 no Programa Nacional de Direitos Humanos. São equipamentos essenciais para a promoção dos direitos humanos, oferecendo atendimento psicossocial, jurídico e apoio para acesso aos serviços públicos de saúde, educação e assistência social.
O Centro de Natal, criado em 2020, apesar das limitações, já realizou ações que incluíam grupos de apoio, mediação para benefícios sociais e até um observatório que mapeava a realidade LGBTQIA+ local. Porém, desde 2023, a falta de profissionais e recursos vem comprometendo essas atividades, culminando no fechamento atual.
Um espaço de acolhimento que virou luta pela sobrevivência
O Centro Municipal de Cidadania LGBT é uma porta de entrada para a população LGBTQIA+ enfrentar a LGBTIfobia institucional e acessar direitos básicos. Porém, a atual equipe está reduzida a apenas duas profissionais, sem telefone para contato, com atendimentos suspensos e sem atividades coletivas, demonstrando descaso da Prefeitura.
Lune Jací denuncia que “há políticos que trabalham contra nossas conquistas e querem o sucateamento do Centro. Sem o apoio desse espaço, minha trajetória e a de muitas pessoas seria muito mais dura.”
Resistência em tempos difíceis
Enquanto a Prefeitura usa o Centro LGBT para promoção política, nos bastidores, o serviço é abandonado. Essa situação é ainda mais cruel por atingir principalmente pessoas LGBTQIA+ negras, periféricas e de baixa renda, para quem o Centro é um suporte vital para enfrentar múltiplas opressões.
O movimento LGBTQIA+ de Natal enfrenta o desafio de transformar a dor desse momento em força para resistir e garantir que o Centro Municipal de Cidadania LGBT retome seu papel fundamental. Afinal, nossa existência é uma luta diária contra o apagamento e a discriminação.
Que o mês do orgulho traga também reflexão e mobilização para que serviços essenciais como esse não sejam mais deixados à própria sorte, mas valorizados e fortalecidos para acolher e proteger toda a diversidade que compõe a nossa comunidade.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


