Ator revela que já recusou papéis estereotipados e defende representatividade com profundidade
João Côrtes, conhecido por suas atuações em “Vai Que Cola” (2014) e “Sol Nascente” (2016), abriu o coração sobre a relevância de personagens LGBTQIA+ bem construídos na televisão. Em entrevista, o ator falou sobre o impacto que personagens profundos e humanizados têm na representatividade e visibilidade da comunidade, ressaltando que esses retratos vão muito além da mera exposição, trazendo dignidade e empatia para as narrativas.
“Quando esses personagens são retratados com profundidade, eles se tornam espelhos para quem faz parte da comunidade e faróis para quem está de fora, ajudando a quebrar preconceitos e a criar identificação”, afirmou João Côrtes, reforçando a necessidade de ir além de estereótipos simplistas.
Recusar papéis que reforçam estereótipos
O ator revelou ainda que já recusou papéis que considerou reforçadores de estereótipos sobre pessoas LGBTQIA+. Para ele, a representação na mídia deve respeitar a complexidade e a diversidade da comunidade, não se limitando ao clichê ou caricatura.
“Ainda há muito a caminhar quando se fala de representatividade LGBTQIA+ nas artes, tanto na TV quanto no teatro”, disse João, que também se identifica como homem gay e deseja ver personagens queer protagonizando histórias que envolvam romances, aventuras e conflitos existenciais, sempre com a humanidade que merecem.
Protagonismo e diversidade para além da sexualidade
Segundo João Côrtes, é fundamental que a sexualidade de um personagem LGBTQIA+ seja apenas uma das camadas que o definem, e não sua única característica. Ele defende que esses personagens sejam vistos como protagonistas plenos, vivendo histórias ricas, complexas e verdadeiras, que celebrem a diversidade de formas de amar e existir.
“É a arte dizendo que todas as formas de amar, existir e viver merecem espaço e respeito”, finalizou o ator, destacando a importância da arte como ferramenta de inclusão e transformação social.
“Eddy – Violência e Metamorfose”: um novo desafio
Atualmente, João Côrtes assume o papel principal da peça “Eddy – Violência e Metamorfose”, que estreia em 19 de junho no Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro. A montagem é inspirada em três obras do escritor francês Édouard Louis e aborda temas como identidade LGBTQIA+, violência, sexualidade e transformação pessoal.
Na peça, João interpreta o alter ego do autor, mergulhando na trajetória de um jovem homossexual criado em uma vila operária da França, em um retrato visceral das dificuldades e da busca por identidade em meio a estruturas sociais opressoras. A preparação para o papel envolveu uma transformação visual, com o ator adotando cabelos loiros platinados, contrastando com sua imagem anterior.
Com direção e dramaturgia de Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky, a peça oferece um convite poderoso para que o público reflita sobre as múltiplas formas de existir e resistir, ampliando o espaço para vozes e histórias LGBTQIA+ no teatro.
João Côrtes reafirma que a construção de personagens LGBTQIA+ na TV e no teatro é uma ferramenta essencial para promover respeito, empatia e visibilidade verdadeira, contribuindo para a quebra de preconceitos e a valorização da diversidade.
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