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Violência contra pessoas LGBTQIA+ cresce 800% em Mato Grosso

Estupros e homicídios contra LGBTQIA+ disparam em MT; grupo especial da SESP busca combater a homofobia
Violência contra pessoas LGBTQIA+ cresce 800% em Mato Grosso

Estupros e homicídios contra LGBTQIA+ disparam em MT; grupo especial da SESP busca combater a homofobia

Em Mato Grosso, a violência contra pessoas LGBTQIA+ sofreu um aumento alarmante. Dados recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 revelam que, entre 2023 e 2024, os casos de estupro contra essa população cresceram 800%, enquanto os homicídios quase dobraram, com aumento de 85,7%.

O aumento da violência e o desafio da segurança pública

Os números assustadores reforçam a urgência da luta contra a homofobia e transfobia no estado. Para enfrentar essa realidade, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) de Mato Grosso criou uma força-tarefa especializada, coordenada pelo tenente-coronel Ricardo Bueno. Ele destaca que o problema vai além dos crimes registrados: “É necessário um esforço coletivo para aprender a respeitar as diferenças e não enxergar a sexualidade ou as identidades como inferioridade ou incapacidade”.

O papel das políticas públicas e da solidariedade

Além da atuação policial, organizações como o Instituto Jejé de Oyá têm sido fundamentais no acolhimento e apoio à população LGBTQIA+. Com uma abordagem que vai além do atendimento emergencial, o instituto oferece acompanhamento médico, psicológico e programas de qualificação para que as pessoas conquistem autonomia e qualidade de vida. O presidente da ONG, Sávio De Brito Costa, reforça: “Precisamos de políticas públicas com envolvimento da sociedade e políticos para frear a violência, o preconceito e a discriminação”.

Relatos de dor e resistência

Os impactos dessa violência se refletem nas histórias de pessoas que enfrentam o preconceito diariamente. Luccas Henry, jovem pansexual e ex-morador de rua, compartilha sua experiência traumática com assédio: “Entrei no banheiro e uma pessoa abriu a porta para me ver, mesmo sabendo que eu estava lá. Foi uma situação muito ruim”.

Para Josy Campos, artista trans, a arte foi sua forma de resistência frente às violências sofridas, inclusive dentro da família. Ela lembra que a transfobia está entranhada na cultura: “Somos violentadas desde o psicológico, desde a infância, sendo chamadas de ‘homem’ por simplesmente sermos quem somos”.

Um chamado para a empatia e a mudança social

Esses dados e relatos não são apenas números ou histórias isoladas, mas um grito por respeito e justiça. A violência contra pessoas LGBTQIA+ em Mato Grosso é um reflexo da necessidade urgente de transformação cultural e estrutural. A solidariedade, o acolhimento e a luta por direitos são caminhos essenciais para construir uma sociedade onde todas as identidades sejam valorizadas e protegidas.

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