Campeã do RuPaul’s Drag Race fala sobre os desafios de sua síndrome e o poder de recomeçar
Yvie Oddly, vencedora da 11ª temporada do RuPaul’s Drag Race, causou alvoroço ao anunciar, de forma provocativa, que estaria encerrando sua carreira na arte drag. Mas calma: não é bem assim. Em entrevista exclusiva, ela desmistifica esse anúncio e abre o coração sobre a luta pessoal que enfrenta com a síndrome de Ehlers-Danlos, uma condição crônica que afeta seu corpo, e como isso impacta sua trajetória artística.
Um adeus que não é adeus
Ao lançar um convite para um bazar em Denver, Yvie brincou com a ideia de que estaria dando um fim à sua era drag. “É engraçado quando rainhas dizem que vão largar tudo, mas no fundo, nunca largam”, comenta a artista. Ela lembra que grandes nomes da cena drag já tentaram sair e sempre acabaram voltando, porque a essência do drag é imortal.
O bazar, segundo Yvie, é uma forma de se desapegar, uma limpeza de vida para abrir espaço para o novo. “Quero ver que tipo de drag posso fazer sem nem ter sapatos”, revela, mostrando que esse momento é um recomeço, não uma despedida definitiva.
Enfrentando a deficiência com coragem e autenticidade
Yvie foi aberta sobre sua condição de saúde desde o início da carreira, mas ressalta que quer que as pessoas a vejam além da deficiência. “Nasci com essa condição, mas o resto é drag”, diz. Ela admite que nem sempre é fácil lidar com o envelhecimento e as limitações físicas, mas sempre encontra maneiras de se reinventar e continuar criando.
Ela pede que seus fãs deixem de lado a imagem da artista ‘deficiente’, pois isso muitas vezes gera expectativas erradas e preconceitos: “Eu esqueço que sou deficiente, e só lembro quando não consigo fazer algo”. É um convite para enxergar a pessoa inteira, com seus talentos e desafios, sem rótulos limitantes.
Reinvenção e representatividade LGBTQIA+
Mesmo reduzindo o número de shows, Yvie continua presente na cena por outros caminhos: escrevendo um livro, lançando músicas e comandando seu podcast. Essa versatilidade mostra como pessoas LGBTQIA+ podem encontrar múltiplas formas de expressão e resistência, mesmo diante de obstáculos pessoais.
Além disso, Yvie compartilha seu olhar crítico e divertido sobre o universo drag e a cultura pop, demonstrando que é possível enfrentar o preconceito com humor e autenticidade.
Diálogos e superação
Em meio a polêmicas e desentendimentos com outras figuras públicas, como a comediante Nicole Byer, Yvie reafirma sua postura aberta ao diálogo e à reconciliação. “Foram duas divas em conflito, mas a gente vai resolver”, garante.
Ela também faz previsões espirituosas sobre o futuro do RuPaul’s Drag Race, imaginando até uma versão de IA da própria RuPaul dominando a cena. Essa visão irreverente reforça sua conexão com a comunidade e seu papel como voz ativa dentro do cenário drag.
Yvie Oddly é um exemplo poderoso de como a arte drag pode ser um espaço de expressão, luta e amor-próprio para a comunidade LGBTQIA+. Sua história inspira a celebrar a diversidade, enfrentar desafios e nunca deixar de brilhar, mesmo nas fases mais difíceis.
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