Ex-secretária de Estado pede que casais LGBTQIA+ oficializem união antes de possível retrocesso judicial nos EUA
Hillary Clinton, ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, lançou um alerta importante para a comunidade LGBTQIA+. Em entrevista recente, ela expressou sua preocupação com a possibilidade do Supremo Tribunal dos EUA reverter a decisão que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo no país, conhecida como Obergefell v. Hodges.
Segundo Clinton, a Suprema Corte pode seguir o mesmo caminho adotado na revogação do aborto, enviando a questão do casamento LGBTQIA+ para que cada estado decida se permite ou não essas uniões. “Eles vão fazer o mesmo que fizeram com o aborto: devolver aos estados”, afirmou, destacando o trabalho de anos feito por grupos conservadores para alcançar esse objetivo.
O que isso significa para a comunidade LGBTQIA+?
Se a decisão de Obergefell for anulada, o casamento entre pessoas do mesmo sexo continuaria sendo reconhecido em âmbito federal graças à aprovação da Lei de Respeito ao Casamento, sancionada em 2022 pelo presidente Joe Biden. Essa lei garante que o governo federal reconheça casamentos tanto entre pessoas do mesmo sexo quanto entre pessoas de raças diferentes, e obriga os estados a reconhecerem casamentos realizados em outras regiões.
No entanto, a lei não obriga os estados a permitir novos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Ou seja, estados que já proibiam essas uniões antes da decisão de Obergefell poderiam restabelecer essas proibições, desencadeando uma situação semelhante à ocorrida após a revogação do aborto, com estados mais conservadores implementando rapidamente banimentos.
O chamado de Hillary Clinton para a comunidade
Diante desse cenário preocupante, Hillary Clinton aconselhou casais LGBTQIA+ a considerarem se casar enquanto ainda têm o direito garantido nacionalmente. “Eu não acho que eles vão desfazer os casamentos que já existem, mas temo que eles vão anular o direito nacional”, explicou.
Embora o Supremo ainda não tenha sinalizado oficialmente a revisão do casamento igualitário, alguns estados americanos têm apresentado resoluções solicitando que a corte reexamine o tema. Essas resoluções, porém, são não vinculativas e ainda não foram aprovadas, o que significa que o tribunal não é obrigado a acatá-las.
Contexto político e judicial
Além disso, juízes conservadores do Supremo, como Clarence Thomas, já indicaram que gostariam de rever e possivelmente anular decisões relacionadas a direitos civis, incluindo o casamento LGBTQIA+, práticas sexuais consensuais e o acesso à contracepção. Essa postura reforça a preocupação sobre um retrocesso nos direitos conquistados.
Para a comunidade LGBTQIA+ e seus aliados, o momento exige atenção e mobilização. A defesa dos direitos conquistados até aqui é fundamental para evitar que retrocessos comprometam a liberdade de amar e a igualdade no casamento.
Assim, o alerta de Hillary Clinton ecoa como um chamado urgente para que casais e ativistas estejam preparados para os desafios que podem vir, valorizando cada conquista e lutando para mantê-la viva.
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