Casal é levado para presídio do Róger, que abriga política pioneira de proteção a detentos LGBTQIA+ na Paraíba
Os influenciadores digitais Hytalo Santos e seu marido Israel Vicente, conhecido como Euro, foram transferidos para a Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, mais conhecida como presídio do Róger, localizado em João Pessoa, Paraíba. A decisão judicial que determinou a transferência do casal partiu da Justiça da Paraíba, após eles permanecerem custodiados em São Paulo desde a prisão em 15 de agosto de 2025.
Na chegada à capital paraibana, o casal passou por exames no Instituto de Polícia Científica (IPC) e em seguida foi conduzido à unidade prisional, que atualmente abriga cerca de 890 detentos, mesmo com capacidade para 700 presos, demonstrando a superlotação histórica da unidade.
O presídio do Róger e a ala LGBT+
O presídio do Róger é uma das unidades prisionais mais antigas da Paraíba e, ao longo dos anos, enfrentou denúncias de condições precárias e crises internas. Porém, um marco importante foi a criação pioneira da ala destinada especificamente a detentos LGBT+, uma política pública inédita no Brasil quando implantada em 2013 em três unidades do estado, incluindo o presídio do Róger.
Essa ala foi criada para preservar a integridade física e os direitos das pessoas LGBTQIA+ privadas de liberdade, buscando impedir agressões e garantir tratamento digno. Na época da inauguração, a Secretaria de Administração Penitenciária destacou a importância da sensibilização dos agentes penitenciários para assegurar um serviço público respeitoso e humanizado.
Movimentos sociais e a defesa da dignidade
A criação da ala LGBT+ no sistema prisional paraibano foi resultado da mobilização de movimentos sociais, como o Movimento Espírito Lilás (Mel) e a Associação de Travestis e Transexuais da Paraíba (Astrapa). Segundo Cleber Ferreira, presidente do Mel, essa política pública nasceu a partir de debates no Conselho Estadual de Direitos Humanos entre 2011 e 2013, fruto da necessidade urgente de proteger pessoas LGBTQIA+ que enfrentavam violências dentro do sistema prisional.
Ferreira reforça que, apesar das adversidades do cárcere, a existência dessa ala representa uma garantia mínima de dignidade e respeito, fundamentais para qualquer pessoa, independentemente da condição civil ou orientação sexual.
Contexto da prisão e investigações
Hytalo Santos e Euro são investigados pelo Ministério Público da Paraíba e pelo Ministério Público do Trabalho por crimes graves, incluindo exploração sexual de menores, trabalho infantil e tráfico humano. A Justiça decretou prisão preventiva diante das denúncias e da repercussão do caso. Documentos indicam ainda que o casal planejava fugir do país.
Desde a prisão em São Paulo, seus perfis e contas nas redes sociais foram suspensos. A defesa alega inocência, mas os pedidos para responderem em liberdade foram negados pelas instâncias judiciais.
Representatividade e desafios no sistema prisional
A transferência do casal para a ala LGBT+ no presídio do Róger traz à tona a importância de políticas públicas específicas para a população LGBTQIA+ encarcerada. Mesmo em um ambiente marcado por dificuldades e superlotação, essa iniciativa pioneira da Paraíba serve como um exemplo de luta por direitos e respeito à diversidade dentro do sistema prisional brasileiro.
Para a comunidade LGBTQIA+, a existência dessa ala simboliza um passo fundamental na busca por proteção e dignidade, reafirmando que, mesmo na prisão, a identidade e os direitos de cada pessoa precisam ser respeitados e garantidos.
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