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CDC volta a usar termo ‘monkeypox’ e reforça estigma contra LGBTQIA+

Mudança do nome de mpox para monkeypox reforça racismo e homofobia em políticas de saúde pública
CDC volta a usar termo 'monkeypox' e reforça estigma contra LGBTQIA+

Mudança do nome de mpox para monkeypox reforça racismo e homofobia em políticas de saúde pública

Em um movimento controverso, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) voltou a usar o termo “monkeypox” para se referir à doença anteriormente chamada de mpox. Essa reversão ocorre em um momento em que a comunidade LGBTQIA+ ainda luta contra o preconceito e o estigma associados à saúde pública, e a mudança do nome levanta preocupações sobre o fortalecimento de discursos racistas e homofóbicos.

A origem e o impacto do nome “monkeypox”

O nome “monkeypox” tem sido alvo de críticas não apenas por ser cientificamente impreciso — já que macacos não são o reservatório natural do vírus — mas também por carregar uma longa história de uso pejorativo da palavra “macaco” como insulto racista contra pessoas negras. Além disso, o termo alimenta narrativas problemáticas que vinculam a infecção à comunidade LGBTQIA+, sugerindo falsamente que o vírus poderia ser transmitido por meio de relações sexuais com animais, o que reforça preconceitos e estigmatiza ainda mais essa população.

Por que a mudança para “mpox” foi importante

A mudança oficial para o termo “mpox” em 2022 foi uma tentativa consciente de combater o estigma, promover uma comunicação mais respeitosa e evitar que preconceitos antigos fossem reproduzidos nas campanhas de saúde pública. Essa decisão foi celebrada por ativistas e profissionais de saúde que reconhecem o peso das palavras na luta contra a discriminação e a marginalização de grupos vulneráveis, especialmente dentro da população LGBTQIA+.

Reversão da CDC e o retorno do estigma

O retorno ao uso do termo “monkeypox” pelo CDC, especialmente sem uma justificativa científica clara, sinaliza retrocessos graves no combate à discriminação institucional. Além disso, um importante material destinado a reduzir o estigma nas comunicações sobre a doença foi removido do site oficial, indicando um desinteresse em proteger e acolher as comunidades mais afetadas.

Essa decisão não apenas confunde o público, ao se afastar do padrão internacional, mas também legitima discursos de ódio e preconceito, afetando diretamente a saúde mental e o acesso aos serviços de saúde da população LGBTQIA+.

O que isso significa para a comunidade LGBTQIA+

O uso do termo “monkeypox” reforça uma associação indevida entre a doença e a comunidade LGBTQIA+, alimentando preconceitos históricos e dificultando a adesão às medidas de prevenção e tratamento. Em um contexto onde a saúde pública já é permeada por discriminações, essa escolha do CDC dificulta a construção de um ambiente seguro e acolhedor para pessoas LGBTQIA+, que muitas vezes já enfrentam barreiras para o acesso à saúde.

É fundamental que as autoridades de saúde se posicionem contra o estigma, adotando uma linguagem neutra e baseada em evidências científicas, para garantir que todas as pessoas recebam cuidados dignos e sem preconceitos.

Reflexão sobre o uso das palavras e o compromisso com a diversidade

A mudança do nome da doença pode parecer um detalhe, mas é emblemática da luta contra o racismo e a homofobia estrutural. Para a comunidade LGBTQIA+, que historicamente enfrenta invisibilidade e violência, o retorno ao termo “monkeypox” representa um passo atrás nas conquistas de respeito e inclusão.

Na luta por direitos e reconhecimento, é preciso estar atento às palavras usadas pelas autoridades, pois elas moldam percepções e impactam vidas. Defender a diversidade e combater o preconceito também passa pela escolha consciente de uma linguagem que não reproduza estigmas.

O momento exige que a sociedade e os órgãos públicos reafirmem seu compromisso com a igualdade, adotando políticas que promovam a saúde e o bem-estar de todas as pessoas, especialmente aquelas que compõem a vibrante e plural comunidade LGBTQIA+.

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