Evento em Moscou desafia o Eurovision com foco em identidade nacional e crítica à cultura ocidental Em um movimento que mistura nostalgia soviética e estratégias de soft power, a Rússia revive o Intervision, um concurso musical que se apresenta como rival direto do Eurovision. A edição mais recente, realizada em Moscou, reúne artistas de 23 países, incluindo aliados tradicionais como Brasil, Índia, China, Uzbequistão e Cazaquistão, além de uma representante dos Estados Unidos, a cantora australiana Vassy.Originalmente criado em 1965 para os países do bloco soviético e seus satélites, o Intervision foi suspenso após a repressão da Primavera de Praga em 1968 e ressurgiu nos anos 1970 em diferentes cidades do antigo bloco comunista. Agora, sob a batuta do Kremlin, o festival é uma ferramenta política que busca construir uma alternativa cultural ao Eurovision, do qual a Rússia foi banida após sua invasão à Ucrânia.Valores tradicionais como bandeiraA retomada do Intervision é marcada por uma clara rejeição ao que o governo russo chama de “decadência ocidental”, especialmente em relação aos direitos LGBTQIA+. O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, chegou a criticar publicamente a diversidade representada no Eurovision, destacando a vitória da drag queen austríaca Conchita Wurst em 2014 como exemplo do que considera “perversões”.Além disso, o presidente Vladimir Putin posiciona a Rússia como defensora de valores tradicionais, tendo a Suprema Corte do país classificado o “movimento internacional LGBT” como extremista, o que intensifica a perseguição à comunidade LGBTQIA+ local.Uma alternativa sem voto popularNo evento em Moscou, os artistas cantaram em suas línguas maternas, ao contrário do Eurovision, que privilegia o inglês. Entre os participantes, havia nomes do Qatar e de Madagascar, além do músico pró-Kremlin Shaman, que apresentou uma balada patriotica intitulada “Straight to the Heart”.Outra diferença crucial é a ausência do voto popular, com o vencedor sendo escolhido exclusivamente por um júri internacional. Além disso, nenhuma nação da União Europeia está presente, reforçando o caráter político e geopolítico do festival.Impacto global e ambiçõesOs organizadores destacam que os países participantes representam mais de 4,3 bilhões de pessoas — mais da metade da população mundial. O Kremlin espera que o Intervision alcance uma audiência bilionária, promovendo uma narrativa cultural alternativa que conecta o Oriente, a Eurásia e o Sul Global.Para a comunidade LGBTQIA+, o ressurgimento do Intervision evidencia a instrumentalização da cultura para reforçar discursos conservadores e antiocidentais que ameaçam direitos conquistados em todo o mundo. Enquanto isso, a Europa e seus aliados acompanham atentos a evolução desse novo capítulo na disputa por influência geopolítica através da arte e do entretenimento. Que tal um namorado ou um encontro quente?
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Intervision: Rússia reinventa concurso rival do Eurovision com valores tradicionais


