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Ballando com as Estrelas 2025: onde está a representatividade LGBTQIA+?

Apesar de nomes queridos, edição 2025 reduz visibilidade queer em um programa que já foi palco importante para a comunidade
Ballando com as Estrelas 2025: onde está a representatividade LGBTQIA+?

Apesar de nomes queridos, edição 2025 reduz visibilidade queer em um programa que já foi palco importante para a comunidade

Nos últimos anos, Ballando com as Estrelas se destacou como um dos poucos programas de grande audiência capazes de abrir espaço para personagens queer e para quem desafiava os padrões da televisão tradicional. Não foram apenas aparições pontuais, mas momentos históricos que marcaram a representatividade LGBTQIA+ na TV.

Em 2016, Platinette (Mauro Coruzzi) chocou e encantou ao dançar com Raimondo Todaro, abrindo caminho para que, em 2018, o mesmo Todaro fizesse par com Giovanni Ciacci, trazendo um pouco mais de visibilidade para o público. Em 2020, a atriz Rosalinda Celentano protagonizou uma dança com Tinna Hoffman, e a verdadeira virada aconteceu em 2022, quando Alex Di Giorgio, nadador assumidamente gay, desceu à pista ao lado do maestro Moreno Porcu, em uma escolha feita a pedido do próprio atleta à produção do programa. Na mesma edição, Gabriel Garko também participou, embora tenha optado por uma parceira feminina.

Outros nomes queer ou aliados já passaram pelo palco, como Lea T, Enzo Miccio, Annalou Castoldi – que se identifica como queer e tem relacionamento com uma mulher – e Tommaso Marini. A presença de Alex Di Giorgio, porém, permanece como o ápice dessa revolução na narrativa do programa.

Uma edição queer-friendly, mas sem representatividade real

Para a edição de 2025, que estreia em 29 de setembro na Rai1, a produção aposta em figuras que conquistaram o público LGBTQIA+, como Marcella Bella – considerada uma diva gay – Barbara d’Urso, conhecida como aliada da comunidade, Andrea Delogu, símbolo de liberdade e autenticidade, e Rosa Chemical, artista genderless que rejeita rótulos.

No entanto, falta um concorrente abertamente queer na competição. Embora possa parecer uma coincidência, essa ausência pesa, especialmente porque a visibilidade queer em programas de grande alcance não pode ser tratada como algo eventual ou acessório.

Vale destacar que Maurizio Ferrini participará interpretando um personagem, La Signora Coriandoli, o que difere da presença genuína de uma pessoa queer representando a si mesma.

Por que a falta de representatividade importa tanto?

Ter corpos, histórias e vozes queer em programas populares não beneficia apenas a comunidade LGBTQIA+. Essa presença ajuda a desconstruir estereótipos e a normalizar a diversidade para todo o público.

Além disso, o programa é exibido pela Rai, canal de serviço público, que tem a responsabilidade de refletir todas as nuances da sociedade italiana. Optar por nomes mais seguros e tradicionais pode ser uma estratégia comercial, mas também significa um retrocesso em um país onde os direitos LGBTQIA+ ainda são alvo de debates acalorados.

A produção pode ainda surpreender durante a temporada, mas o fato é que, comparado a edições anteriores, 2025 representa uma redução na representatividade queer.

As participações anteriores não foram meros caprichos, mas janelas valiosas que sinalizavam um compromisso da televisão pública com a diversidade e a inclusão.

A pista de dança como símbolo de inclusão

Mais do que um programa de dança, Ballando com as Estrelas sempre foi um microcosmo social. Quando casais do mesmo sexo ou artistas queer mostram sua verdade na pista, eles enviam uma mensagem potente: a Itália é plural, diversa e merece ser vista em sua totalidade.

Por isso, a representação não é um detalhe, mas uma questão de dignidade coletiva. A Rai deveria continuar a abrir espaço para todas as identidades não como uma obrigação, mas como um compromisso com a realidade do país.

Sem essa pluralidade, o programa perde seu poder transformador – a dança deixa de ser um elo que une diferenças e promove harmonia entre todos.

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