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Flávia, mulher trans e surda, luta por direitos LGBTQIA+ em Alegrete

Ativista e presidente da Associação dos Surdos, Flávia representa a comunidade LGBTQIA+ em conferência nacional
Flávia, mulher trans e surda, luta por direitos LGBTQIA+ em Alegrete

Ativista e presidente da Associação dos Surdos, Flávia representa a comunidade LGBTQIA+ em conferência nacional

Flávia Oliveira é uma mulher trans e surda que encontrou em Alegrete, no Rio Grande do Sul, um lugar para transformar sua história de resistência em ativismo e representatividade. Mineira de nascimento, ela se mudou para a terceira Capital Farroupilha e, desde então, tem sido uma voz forte na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+ e pela inclusão das pessoas surdas.

Com 39 anos, Flávia trabalha no setor administrativo do frigorífico Minerva Foods e cursa duas graduações: Letras Libras, que concluirá em novembro, e Pedagogia na Uergs. Sua militância é intensa, ocupando a presidência da Associação dos Surdos de Alegrete, onde atua para garantir acessibilidade, inclusão e visibilidade para essa população tão frequentemente marginalizada.

Representatividade e ativismo em Brasília

Recentemente, Flávia foi a representante mais votada na Conferência Estadual LGBTQIA+, recebendo 189 votos e conquistando o direito de representar a comunidade em Brasília, na conferência nacional. Para ela, esse momento simboliza muito mais do que uma conquista pessoal: é o reconhecimento da força e da voz da diversidade, sobretudo daqueles que convivem com o duplo desafio do capacitismo e da transfobia.

“Minha presença em Brasília não é apenas individual, mas representa a luta de toda a comunidade LGBTQIA+. Quero mostrar que pessoas surdas e trans podem ocupar espaços de poder e protagonismo”, afirma Flávia, que defende transformar essa representatividade em políticas públicas efetivas e acessíveis.

Desafios e superações de uma mulher trans surda

A trajetória de Flávia não foi fácil. Crescer surda em uma sociedade sem acessibilidade plena e, ainda por cima, se reconhecer como mulher trans em um país com alta taxa de violência transfóbica exigiu coragem e perseverança. Ela enfrentou barreiras no acesso à educação, ao respeito pelo nome social, e no mercado de trabalho.

Flávia relata que o preconceito é uma realidade constante, manifestando-se tanto em capacitismo — pela falta de preparo das pessoas em se comunicar em Libras — quanto em transfobia — com questionamentos sobre sua identidade e falta de respeito em diversos ambientes.

Apesar das dificuldades, ela vê cada obstáculo como combustível para sua luta política e social, buscando transformar a dor em ação e representando não só a si mesma, mas todas as mulheres trans surdas que ainda buscam dignidade e inclusão.

Vida em Alegrete e a luta pela acessibilidade

Em Alegrete, Flávia encontrou uma comunidade calorosa, mas também percebeu o quanto ainda é necessário avançar em acessibilidade e respeito. Ela atua em espaços políticos locais, levando a Libras para debates importantes sobre direitos e inclusão, e se inspira na cultura farroupilha, que valoriza a resistência e a luta.

Como presidente da Associação dos Surdos, ela destaca a importância de assegurar intérpretes em serviços públicos, promover a educação bilíngue de qualidade e criar oportunidades reais no mercado de trabalho para pessoas surdas e trans surdas. “Nosso maior desafio é garantir acessibilidade plena e combater o preconceito estrutural que ainda nos exclui”, explica.

Mensagem de esperança e luta

Flávia deixa uma mensagem inspiradora para a comunidade de Alegrete e para todas as pessoas LGBTQIA+ e surdas: “Nunca desistam de ser quem vocês são. Nosso lugar é de dignidade, respeito e participação. A história de resistência farroupilha nos ensina que a coragem e a transformação fazem parte da nossa identidade”.

Com sua história, Flávia representa a força do ativismo interseccional e a urgência de políticas públicas que garantam direitos e inclusão para todas as pessoas, independente de gênero, orientação sexual ou condição física.

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