Muchlis Misbah busca regulamentação para prevenção e apoio diante do aumento de HIV entre homens que fazem sexo com homens
A epidemia de HIV em Makassar, na Indonésia, que atingiu 454 novos casos em 2025, tem causado preocupação entre autoridades locais, especialmente devido à predominância entre homens que fazem sexo com homens (HSH). Frente a esse cenário, o legislador Muchlis Misbah, do partido Hanura, está promovendo a criação de uma legislação local que vise o combate ao HIV e também a regulamentação contra práticas consideradas como parte do movimento LGBTQIA+, com foco no que ele classifica como “comportamentos desviantes”.
Uma abordagem controversa para a prevenção do HIV
Muchlis Misbah defende que a nova lei, ainda em proposta, deverá estabelecer diretrizes para prevenção do HIV e, paralelamente, proibir e buscar “reabilitação” para pessoas que se identificam ou praticam comportamentos LGBT. Para ele, esses comportamentos, associados à narrativa religiosa que cita o “povo de Ló”, precisam ser reprimidos para evitar uma “epidemia” na cidade.
“Não queremos que o comportamento LGBT, como o do povo de Ló, aconteça em Makassar”, declarou o parlamentar, ressaltando que a lei deverá focar tanto na prevenção quanto na “orientação” dessas pessoas para evitar o que considera uma ameaça social e religiosa.
Dados alarmantes e desafios no controle da epidemia
Segundo a chefe da Secretaria Municipal de Saúde de Makassar, dr. Nursaidah Sirajuddin, dos 23.311 testes realizados neste ano, 454 resultaram positivos para HIV. A maior transmissão identificada acontece entre homens que fazem sexo com homens, grupo que, segundo ela, representa um desafio específico devido a questões regulatórias e direitos humanos.
Ela destacou ainda que nos últimos dois anos o número de novos casos tem permanecido alto, com 925 casos em 2024 a partir de 48.139 exames, e 1.015 em 2023 de um total de 57.690 testes. Esses dados apontam para a necessidade urgente de ações eficazes e sensíveis para o enfrentamento da epidemia.
Impacto e repercussão
Apesar da intenção declarada de proteger a população, a proposta de legislação que associa diretamente a epidemia ao comportamento LGBT e prevê “reabilitação” pode gerar debates sobre direitos humanos e discriminação contra a comunidade LGBTQIA+. Organizações de direitos civis destacam que políticas de saúde pública eficazes devem focar em educação, prevenção baseada em evidências e acesso a tratamento, sem estigmatizar grupos específicos.
O crescimento dos casos de HIV em Makassar demonstra o desafio global que é a prevenção da doença, especialmente em populações vulneráveis. É fundamental que as respostas das autoridades equilibrem a urgência da epidemia com o respeito aos direitos e à dignidade das pessoas LGBTQIA+.
Este cenário em Makassar, Indonésia, reforça a importância de abordagens inclusivas e humanizadas para a saúde pública, que contemplem diversidade, combate ao preconceito e promoção do acesso universal ao tratamento e prevenção do HIV.
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