Cantora irlandesa provoca revolta na comunidade LGBTQIA+ ao questionar identidade trans em post viral
A cantora irlandesa Róisín Murphy voltou a causar uma grande controvérsia entre a comunidade LGBTQIA+ ao compartilhar um gráfico que sugere uma queda no número de jovens que se identificam como trans ou não binários. Na legenda, ela afirmou que essa identidade “nunca foi real” e lamentou o que chamou de “havoc” causado a crianças, famílias e à sociedade.
Reação imediata da comunidade LGBTQIA+
O post inflamou debates e gerou respostas veementes de artistas e ativistas, que acusaram Murphy de transfobia e de propagar desinformação prejudicial. Entre as vozes mais fortes contra a cantora está The Blessed Madonna, DJ e produtora não binária, que em vídeo publicado nas redes sociais a chamou de “TERF empoeirada” e criticou sua postura como um retrocesso doloroso para os direitos trans.
Além disso, o coletivo Lambrini Girls ressaltou que o gráfico compartilhado ignora o contexto político e social hostil que afeta a segurança e a liberdade das pessoas trans, apontando que o aumento da retórica anti-trans e as tentativas legislativas de erradicação impactam diretamente na disposição de jovens se assumirem publicamente.
Reflexões sobre os dados e o impacto social
Os dados usados por Murphy vêm de um estudo da Tufts University nos Estados Unidos, mas especialistas alertam que a aparente queda na identificação trans pode refletir um ambiente cada vez mais hostil, que faz as pessoas se sentirem inseguras para expressar suas identidades. A professora Jean Twenge, da San Diego State University, destacou que a oscilação pode estar ligada à variação na aceitação social, e não à inexistência dessas identidades.
CMAT, outra artista que se posiciona ativamente em defesa da comunidade, pediu para que o post de Murphy não seja compartilhado, pois pode causar trauma, especialmente em tempos de crescente violência contra pessoas trans e não binárias.
Posicionamento de Róisín Murphy
Em resposta ao backlash, Murphy afirmou que “não tem nada a perder” e que a reação dos ativistas tem sido uma “crueldade” que a afasta da cena musical. Ela disse não nutrir ódio contra pessoas trans e negou querer apagar suas existências, mas reiterou sua crença de que a ideia de mudar de sexo é uma “alucinação” que prejudica crianças, famílias e mulheres.
Murphy ainda declarou que espera ser lembrada como uma artista corajosa e moralmente intransigente, mesmo que suas opiniões tragam consequências à sua carreira. Essa postura, porém, reforça a divisão e o desconforto dentro da comunidade LGBTQIA+ e áreas correlatas.
Contexto maior da discussão
Essa não é a primeira vez que Róisín Murphy se envolve em polêmicas relacionadas a direitos trans. Em 2023, ela já havia criticado o uso de bloqueadores de puberdade para jovens trans, o que gerou uma onda de críticas e um pedido público de desculpas. Desde então, sua relação com a comunidade LGBTQIA+ tem sido marcada por debates intensos, que refletem os desafios atuais de respeito e representatividade.
Enquanto isso, artistas e ativistas reafirmam que pessoas trans sempre existiram e continuarão existindo, e que o verdadeiro caminho para uma sociedade mais justa é acolher e proteger essas vidas, não apagar sua realidade ou negar seu direito de existir.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


