Estudo revela declínio significativo de jovens que se identificam como trans e queer nos EUA, apontando uma nova fase no movimento LGBTQIA+
Após uma década de crescimento constante no número de jovens que se identificam em alguma categoria do espectro LGBTQIA+, pesquisas recentes indicam que essa tendência pode estar chegando ao fim, especialmente no que diz respeito à identificação trans.
Em 2023, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos apontou que cerca de 25% dos estudantes do ensino médio se declaravam LGBTQIA+. No entanto, um relatório divulgado em outubro de 2025 pelo professor Eric Kaufmann, da Universidade de Buckingham, revela que a identificação como trans e queer entre a Geração Z sofreu uma queda acentuada desde 2023.
Dados que sinalizam uma reversão
Dados coletados em instituições como a Andover Phillips Academy, nos subúrbios de Boston, mostram uma redução drástica: em 2023, 9,2% dos estudantes se identificavam como não-binários, percentual que caiu para apenas 3% em 2025. Em universidades como Brown, a porcentagem de estudantes não-binários diminuiu de 5% em 2022-2023 para 2,6% em 2025.
Além disso, a Fundação para a Liberdade Individual e Expressão (FIRE) registrou que a identificação como trans entre estudantes universitários nos EUA caiu de 6,8% em 2022 para 3,6% em 2025. A queda é especialmente notável na categoria “não-binário”, mas Kaufmann destaca que a identificação trans em geral também está em declínio.
O que explica essa queda?
Segundo o biólogo evolucionista Colin Wright, essa mudança pode ser vista como um fenômeno de “contágio social” — uma onda que cresce rapidamente e depois diminui, causando um padrão de alta e queda na identificação trans. Essa hipótese ganhou atenção após estudos que mostraram aumentos expressivos, como o salto de 1.500% no número de meninas entre 13 e 17 anos se identificando como trans na Suécia entre 2008 e 2018.
Além do aspecto social, a cultura também exerce papel importante. Durante anos, ser LGBTQIA+ foi sinônimo de ser “cool” e uma forma de se destacar, especialmente nas escolas e universidades, o que pode ter incentivado muitos jovens a adotarem identidades diversas sem necessariamente viverem essas experiências na prática. Essa percepção é reforçada por análises que mostram que muitos jovens se identificavam como LGBTQIA+ mas mantinham comportamentos heterossexuais.
Impactos culturais e políticos
O movimento LGBTQIA+ conquistou grande influência cultural, controlando setores importantes como Hollywood, o Partido Democrata e o meio acadêmico. Contudo, enfrentou resistência crescente, especialmente com a divulgação de estudos sobre os efeitos negativos de tratamentos de transição em jovens e relatos impactantes de pessoas que reverteram suas transições.
Celebridades e figuras públicas têm se posicionado de forma mais crítica, e o movimento enfrenta o desafio de manter sua relevância diante do que alguns chamam de esgotamento da “moda” queer. A transformação dessa dinâmica também reflete um amadurecimento social, que busca equilibrar a afirmação das identidades com o cuidado e a responsabilidade sobre os caminhos escolhidos.
O futuro da identificação trans entre jovens
Pesquisas indicam que a identificação trans continuará a diminuir entre os jovens americanos, com a questão central sendo até onde essa queda poderá chegar e quais serão as consequências para a comunidade e para as políticas públicas relacionadas.
Para a comunidade LGBTQIA+, essa mudança representa um momento de reflexão sobre a diversidade interna e os desafios que ainda persistem. É fundamental compreender que identidades são vivências complexas e multifacetadas, e que o respeito e o acolhimento permanecem essenciais, independentemente das flutuações estatísticas.
Em meio a esse cenário, é importante que a representatividade não se restrinja a modismos, mas que se fortaleça em bases sólidas de empatia e autenticidade. O movimento LGBTQIA+ está em constante transformação, e essa fase de mudança pode abrir espaço para diálogos mais profundos e inclusivos, capazes de abraçar as múltiplas formas de existir e amar.
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