Antes da Copa do Mundo 2026, ativistas apelam para que torcedores mexicanos abandonem grito ofensivo contra a comunidade LGBTQIA+
Com o Mundial de 2026 se aproximando, que será sediado por Estados Unidos, Canadá e México, ativistas LGBTQIA+ do México estão mobilizando a comunidade e os torcedores para acabar com um grito homofóbico que ecoa nas arquibancadas dos estádios mexicanos há quase duas décadas.
Esse canto ofensivo, que surgiu pela primeira vez em 2004 durante um jogo olímpico entre México e Estados Unidos, ganhou notoriedade internacional na Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Desde então, apesar de multas milionárias aplicadas pela FIFA e de campanhas institucionais, o canto segue presente, especialmente nos jogos do clube Atlas, de Guadalajara, e da seleção mexicana.
O grito e sua raiz homofóbica
O insulto homofóbico, direcionado principalmente ao goleiro adversário durante os saques de meta, tornou-se uma prática comum e até normalizada em estádios mexicanos. “Não é apenas um grito; é uma expressão de violência invisível e anônima que perpetua o ódio contra a comunidade LGBTQIA+ no país”, destaca Andoni Bello, ativista LGBTQIA+ e ex-jogador amador da Associação Internacional de Futebol Gay e Lésbica.
Bello alerta para as consequências sociais dessa violência velada, que muitas vezes antecede crimes de ódio motivados pela homofobia. “Se não reconhecermos a gravidade, estaremos alimentando esse ciclo de violência”, reforça.
Resposta da Federação Mexicana e desafios
Apesar da pressão internacional e das multas, a Federação Mexicana de Futebol tem demonstrado dificuldades em erradicar o grito. Inicialmente, tentou minimizar o significado do canto, alegando que ele teria diferentes conotações culturais, mas depois adotou uma postura mais firme, lançando campanhas educativas e ameaçando banir torcedores por até cinco anos. Contudo, essas medidas ainda não surtiram efeito prático.
Atualmente, a entidade apenas pede aos fãs que evitem o canto antes das partidas, sem aplicar sanções rigorosas. “As multas não resolveram. A Federação precisa agir com mais firmeza e compromisso”, critica Bello.
Mobilização e educação para a mudança
Organizações como Calma Comunidad e o Conselho Nacional para Prevenir a Discriminação (Conapred) têm se unido a ativistas para promover workshops e ações educativas junto aos times da primeira divisão e suas torcidas. O objetivo é conscientizar sobre o impacto do canto homofóbico e incentivar a torcida a vibrar sem ofensas.
David Moncada, representante da Calma Comunidad, enxerga no Mundial uma oportunidade única para promover transformações culturais. “Estamos aqui para resistir e fomentar mudanças reais, que respeitem a diversidade e a dignidade de todas as pessoas”, afirma.
Para Bello, a diversão nos estádios não precisa estar atrelada ao preconceito. “Quero que meu time vença, que o adversário sinta a pressão da torcida, mas sem recorrer a insultos homofóbicos. Isso não é necessário”, conclui.
O chamado desses ativistas é um convite para que a paixão pelo futebol seja uma expressão de inclusão e respeito, abrindo espaço para que a comunidade LGBTQIA+ também se sinta acolhida e representada nas arquibancadas mexicanas.
Esse movimento evidencia o poder da educação e da mobilização social para transformar ambientes historicamente hostis em espaços de celebração da diversidade. A eliminação do canto homofóbico não é apenas uma vitória para a comunidade LGBTQIA+, mas um passo fundamental para um futebol mais justo e humano, que reflita a pluralidade da torcida que o acompanha.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


