Deputado Nikolas Ferreira critica presidente Lula após veto à linguagem neutra na administração pública
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que proíbe o uso da linguagem neutra em documentos e comunicações oficiais em toda a administração pública brasileira. A medida veta expressamente a utilização de formas de flexão de gênero e número que não estejam de acordo com as regras gramaticais tradicionais da língua portuguesa, conforme estabelecido pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) e o Acordo Ortográfico.
Com a nova legislação, termos como “todes” e “elu”, muito usados para promover uma linguagem mais inclusiva, deixam de ser permitidos em órgãos federais, estaduais, distritais e municipais, abrangendo todos os poderes do país.
Reação política e crítica de Nikolas Ferreira
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) não deixou a decisão passar em branco e usou suas redes sociais para atacar o presidente Lula. Ferreira classificou a medida como incoerente, apontando uma suposta contradição entre as posições do presidente e as demandas de grupos LGBTQIA+ que apoiam a linguagem neutra.
Em sua postagem, o parlamentar ironizou dizendo: “Ninguém vai acusá-lo de homofóbico ou transfóbico? Que surpresa. Quando era a gente pedindo isso, era isso que eu ouvia.” Ele ainda acrescentou a frase “Até o relógio parado acerta duas vezes ao dia” e escolheu a música “Corpo Sensual”, de Pabllo Vittar, para ilustrar o post, misturando crítica política com elementos da cultura queer.
Impactos da proibição da linguagem neutra
A sanção da lei que proíbe a linguagem neutra representa um retrocesso para as políticas de inclusão linguística dentro do serviço público. Para a comunidade LGBTQIA+, a linguagem neutra é uma ferramenta importante de afirmação de identidade e respeito à diversidade de gêneros.
Ao restringir a utilização de termos neutros, o governo limita a representatividade e a visibilidade dessas pessoas no âmbito oficial, reforçando estruturas linguísticas tradicionais que muitas vezes invisibilizam identidades não binárias e trans.
Essa decisão também acende um debate mais amplo sobre o papel da linguagem na construção social da diversidade e sobre as políticas públicas voltadas para a inclusão da comunidade LGBTQIA+.
Em tempos em que a luta por direitos e reconhecimento avança em várias frentes, a proibição da linguagem neutra pode ser vista como um sinal de resistência conservadora que impacta diretamente a forma como a diversidade é reconhecida e respeitada no cotidiano das instituições públicas.
Por fim, é fundamental refletir sobre como as palavras moldam a experiência humana e como o veto à linguagem neutra pode afetar o sentimento de pertencimento e acolhimento de pessoas LGBTQIA+ dentro dos espaços públicos. A linguagem é, antes de tudo, um instrumento de poder e inclusão — e sua regulamentação deve ser pensada com sensibilidade e respeito à pluralidade das identidades.
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