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Exposição em Oslo revela a arte queer na história islâmica

Deviant Ornaments traz obras históricas e contemporâneas que celebram a diversidade sexual no mundo islâmico
Exposição em Oslo revela a arte queer na história islâmica

Deviant Ornaments traz obras históricas e contemporâneas que celebram a diversidade sexual no mundo islâmico

Uma nova exposição no Museu Nacional da Noruega, em Oslo, está abrindo portas para um diálogo inédito sobre sexualidades queer dentro das tradições artísticas do mundo islâmico. Deviant Ornaments, que fica em cartaz de 27 de novembro a 15 de março de 2026, reúne mais de 40 obras produzidas ao longo de mil anos, criando pontes entre o passado histórico e as expressões contemporâneas de artistas globais.

Celebrando uma genealogia queer invisibilizada

Curada por Noor Bhangu, uma estudiosa e curadora sul-asiática radicada na Noruega, a mostra desafia a ideia comum de que desejos homoeróticos e identidades queer são apenas fenômenos recentes e ocidentais. Ao apresentar objetos que vão do século 11 até os dias atuais, a exposição desmistifica o apagamento histórico dessas sexualidades no universo islâmico, frequentemente marcado por repressões e tabus.

Destaques históricos incluem um têxtil safávida do século 16, um bracelete de ouro e esmalte do início do século 19 retratando o príncipe Tahmasp Mirza do Irã, e azulejos persas do século 13. Essas peças dialogam com trabalhos contemporâneos de artistas como a britânica Lynette Yiadom-Boakye, a canadense Alize Zorlutuna e o turco Taner Ceylan, cuja pintura Fake World (2011) apresenta um homem semi-nu vestido com um manto dourado.

Entre tradição e inovação artística

Obras como as esculturas em bronze Promiscuous Intimacies (2020), da artista paquistanesa Shahzia Sikander, fundem elementos da arte sul-asiática e europeia, evocando figuras divinas e mitológicas com um olhar queer e contemporâneo. Além disso, quatro trabalhos encomendados de artistas como Damien Ajavon e Sa’dia Rehman ampliam a conversa, mostrando como a arte queer islâmica ressoa nas diásporas da América do Norte, Europa e além.

A relação entre o passado e o presente é enfatizada por objetos que carregam símbolos espirituais, como a Mão de Fátima, que aparecem tanto em artefatos históricos quanto em instalações modernas. Essa justaposição revela continuidades e rupturas nas tradições simbólicas, enriquecendo a compreensão sobre as múltiplas expressões da sexualidade e espiritualidade dentro do mundo islâmico.

Queer, arte e desafios culturais

A exposição também não se esquiva das tensões e controvérsias que permeiam a sexualidade queer em contextos islâmicos, onde muitas vezes ela é criminalizada ou considerada tabu. A curadoria aborda com sensibilidade temas delicados, incluindo representações orientalistas que contribuíram para a estigmatização e apagamento das histórias homoeróticas locais.

Noor Bhangu destaca a importância de confrontar essas narrativas coloniais, pois elas moldaram percepções internas e externas, levando à repressão e ao esquecimento de ricas tradições homoeróticas, como a poesia de amor entre homens. Assim, a mostra busca resgatar e celebrar uma genealogia queer que atravessa gerações e geografias.

Para a diretora do Museu Nacional de Oslo, Ingrid Røynesdal, o espaço cultural deve ser um ambiente de curiosidade e debate. Deviant Ornaments representa um convite ao público para reconhecer e valorizar a diversidade das sexualidades e identidades que coexistiram e coexistem no mundo islâmico, abrindo caminho para um entendimento mais inclusivo e plural.

Essa exposição é mais do que um encontro com obras de arte; é uma declaração de amor à comunidade LGBTQIA+ global, especialmente àquelas pessoas que enfrentam silenciamentos históricos e culturais. É um lembrete poderoso de que a arte queer sempre existiu, mesmo quando tentaram escondê-la, e que sua presença é fundamental para a construção de narrativas que celebrem a diversidade humana em todas as suas formas.

Ao trazer à luz essa riqueza visual e histórica, Deviant Ornaments fortalece o sentimento de pertencimento e resistência para pessoas LGBTQIA+ dentro e fora das comunidades islâmicas. A exposição é um espaço de acolhimento e reflexão, mostrando que a arte pode ser uma ferramenta transformadora para desafiar preconceitos e ampliar horizontes culturais.

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