Cineasta trans cria narrativas de afeto e resistência para comunidades negras e LGBTQIA+
Icá Iuori é muito mais que uma cineasta; é uma voz preta, queer e trans que vem redesenhando o cinema brasileiro com uma potência única. Natural de São Paulo, Icá cresceu em um bairro comercial onde o audiovisual entrou como um refúgio e fonte de lazer, transformando-se em paixão e ferramenta de resistência. Desde cedo, mergulhou no universo do cinema, teatro e dança, construindo uma trajetória marcada por muita criação, estudo e ativismo.
Uma carreira construída com amor e resistência
Com uma formação sólida que inclui Artes Cênicas na USP e mestrado em Cinema de Ficção na Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba, Icá é cofundadore da Madrugada Filmes, produtora que reúne pessoas pretas e queer em torno da criação audiovisual. Sua trajetória é marcada pela superação das barreiras impostas pelo racismo, queerfobia e pelo sistema colonial, que muitas vezes negam o espaço e a autoestima de artistas como ele.
Um marco em sua carreira foi o curta-metragem “Semana que vem, te prometo Palmares!”, uma ficção científica onde Zumbi e Dandara dos Palmares viajam no tempo e reencarnam em um jovem casal negro contemporâneo. Essa obra abriu portas internacionais, como a participação no festival New Filmmakers Los Angeles, elevando sua autoestima e reconhecimento.
Quebrando padrões e criando espaços próprios
Icá destaca que a representatividade, embora importante, não pode ser o único foco da luta por inclusão no audiovisual. Para ele, é preciso ir além de espaços simbólicos e garantir condições reais de trabalho, com contratos assinados, respeito e reconhecimento. A fundação da Madrugada Filmes é um exemplo disso: um espaço onde o valor do artista preto e queer é reconhecido sem filtros ou preconceitos.
O artista também ressalta que o cinema é uma arte coletiva e que a força está na diversidade e na multiplicidade de narrativas, pois a humanidade é imperfeita justamente por ser plural. Sua criação é um ato de amor próprio e coletivo, que busca transformar o imaginário e ampliar o protagonismo das comunidades racializadas e LGBTQIA+.
Projetos e conselhos para novas gerações
Atualmente, Icá trabalha em coproduções entre Brasil e Estados Unidos, focando em histórias latinas e afro-diaspóricas, além de explorar formatos inovadores como o cinema vertical. Para ele, a inovação diária é essencial para a transformação da indústria audiovisual.
Em sua trajetória, ele deixa três conselhos valiosos para quem deseja seguir no audiovisual: estudar sempre, pois o conhecimento é libertador; não ter medo de tentar e criar mesmo que imperfeito; e entender que o cinema é coletivo, valorizando o trabalho em grupo, a escuta e a humildade.
Icá Iuori não apenas cria filmes; ele cria espaços de afeto, resistência e reimaginação para toda a comunidade LGBTQIA+. Sua voz preta e queer ressoa como um chamado para que mais artistas encontrem no audiovisual um território seguro para expressar suas histórias e existências. O impacto cultural de seu trabalho ultrapassa as telas e fortalece a identidade e o orgulho de um povo que insiste em ser visto, ouvido e celebrado.
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