in

Direitos LGBTQIA+ são destaque no Dia Mundial dos Direitos Humanos

Comunidade celebra avanços e denuncia desafios persistentes em evento no Arunachal Pradesh, Índia
Direitos LGBTQIA+ são destaque no Dia Mundial dos Direitos Humanos

Comunidade celebra avanços e denuncia desafios persistentes em evento no Arunachal Pradesh, Índia

Em um encontro emocionante realizado no escritório da APLS em Itanagar, Arunachal Pradesh, a comunidade LGBTQIA+ junto a seus aliados comemorou o Dia Mundial dos Direitos Humanos, destacando a urgência da pauta LGBTQ+ como parte essencial dos direitos humanos universais.

Organizado pelo AP QueerStation em parceria com a Bridge, o evento reuniu cerca de 30 participantes para discutir, expressar e celebrar o tema “Direitos LGBTQ+ são Direitos Humanos”. A programação incluiu uma sessão de poesia aberta, uma mesa-redonda com especialistas, além de uma mini exposição de arte queer, que trouxe visibilidade e diálogo para a cena local.

Desafios revelados por pesquisa inédita

Um momento marcante foi o lançamento de um documento resultado de uma pesquisa realizada em sete estados do leste e nordeste da Índia, incluindo Arunachal Pradesh, Assam, Jharkhand, Manipur, Nagaland, Odisha e West Bengal. O levantamento, com mais de 900 participantes LGBTQ+, revelou níveis alarmantes de discriminação e bullying enfrentados na adolescência, especialmente entre 12 e 15 anos. Muitas vezes, essas violências começam dentro de casa e se estendem para o ambiente escolar, promovendo evasão, abandono dos estudos e comprometendo oportunidades futuras de emprego e segurança financeira.

Apesar de avanços legais como a descriminalização da homossexualidade em 2018, a decisão histórica do NALSA em 2014 e a Lei de Proteção aos Direitos das Pessoas Transgênero de 2019, a exclusão e a violência sistêmica continuam presentes, afetando profundamente o acesso à educação, saúde e trabalho.

Vozes que inspiram e transformam

O painel de discussão reuniu vozes potentes da comunidade. Zendekar, empreendedor não binário e dono do Zen’s Café em Kimin, compartilhou sua jornada de resistência, destacando o papel fundamental do apoio familiar, especialmente da mãe, e ressaltou que a identidade deve ser definida pelas contribuições e pelo trabalho de cada um.

O pesquisador Wanggo Socia falou sobre seu trabalho acadêmico que investiga as representações da homossexualidade na prosa hindi, buscando dar visibilidade e fundamentar futuros estudos que esclareçam a experiência LGBTQ+ na sociedade indiana.

O artista contemporâneo Chatung Ratan expôs suas obras queer no evento, revelando como a arte é uma forma profunda de autoexpressão e segurança, e expressou o desejo de que a arte queer ganhe mais espaço e reconhecimento na região.

Nido Taluk, coordenador de projeto, desmistificou estigmas relacionados à saúde da comunidade, esclarecendo informações sobre HIV e AIDS e combatendo narrativas falsas que associam LGBTQ+ à propagação de vírus.

Um chamado à empatia e à interseccionalidade

O fundador do AP QueerStation, Sawang Wangchha, enfatizou a importância de reconhecer as múltiplas interseccionalidades presentes nas lutas sociais, unindo comunidades queer, mulheres, crianças, povos indígenas e pessoas com deficiência. Ele ressaltou que, mais do que nunca, a sociedade precisa cultivar a gentileza e a empatia para superar preconceitos e construir um futuro mais justo.

O evento também contou com uma apresentação especial da atriz e cantora Janeth Pinggam, que trouxe arte e emoção para a celebração.

O Dia Mundial dos Direitos Humanos reafirma que os direitos LGBTQIA+ são direitos humanos fundamentais, clamando por respeito, inclusão e justiça. A jornada da comunidade em Arunachal Pradesh reflete uma luta global pela dignidade e igualdade, mostrando que, apesar dos avanços, o caminho ainda exige coragem, visibilidade e solidariedade.

Para a comunidade LGBTQIA+, essas celebrações são mais que datas no calendário: são momentos de resistência e esperança que inspiram mudanças reais no cotidiano. O reconhecimento da interseccionalidade amplia o entendimento das diversas formas de opressão, fortalecendo alianças e construindo pontes entre diferentes grupos marginalizados. É um lembrete poderoso de que o amor, a arte e a pesquisa são ferramentas essenciais para a transformação social e o empoderamento coletivo.

Que tal um namorado ou um encontro quente?

Jovem médico negro e gay enfrentou discriminação no Hospital das Clínicas do Recife e teve seu sonho interrompido

Médico cotista denuncia racismo e homofobia antes de tirar a própria vida

Turnê 'Minha História' revive sucessos e parcerias icônicas do cantor e compositor mineiro

Flávio Venturini celebra 50 anos de carreira com show especial no Sesc