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Rico Dalasam provoca debate sobre raça em novo single de IZA e Jota.pê

Rapper critica autoria de reggae de IZA e Jota.pê e acende discussão sobre representatividade na música
Rico Dalasam provoca debate sobre raça em novo single de IZA e Jota.pê

Rapper critica autoria de reggae de IZA e Jota.pê e acende discussão sobre representatividade na música

Uma polêmica forte está agitando o cenário musical brasileiro e trazendo à tona questões profundas sobre raça, representatividade e autoria na música. Tudo começou com o lançamento de “Eu e Você”, uma faixa de reggae interpretada por IZA e Jota.pê, que tem sua autoria creditada a Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, dois artistas brancos. O rapper Rico Dalasam, conhecido por sua militância e posicionamento contundente, não deixou passar em branco e fez críticas incisivas sobre o assunto.

Quando o reggae vira palco para debate racial

O jornalista Guilherme Guedes iniciou a conversa ao expressar surpresa ao ver os nomes dos compositores na ficha técnica da música. “Definitivamente, eu não esperava por esses nomes ao ler a ficha técnica do novo reggae da IZA. Repito: um reggae”, escreveu em suas redes sociais. A partir daí, Rico Dalasam usou o tweet para ampliar a reflexão, falando sobre as “máscaras negras na manutenção de velhas estruturas” e criticando a postura de artistas negros que, segundo ele, acabam se tornando “carrancas vivas no cortejo de seus senhores”.

Em suas palavras, Rico denuncia a reprodução de dinâmicas históricas de opressão dentro da indústria musical, mesmo entre artistas negros, ressaltando a fragilidade e o desafio que é para o negro brasileiro transitar e ascender neste meio sem perder sua identidade e luta.

A resposta e o contraponto de Jota.pê

O debate ganhou ainda mais força quando Jota.pê, vencedor de dois Grammys Latino, respondeu diretamente às críticas de Rico Dalasam. Em tom firme, o artista convidou para um diálogo direto: “Quando você quiser conversar em vez de ficar fazendo indireta, a gente conversa, mano. Estou devendo nada para ninguém, não. Abraço aí”.

Rico Dalasam não deixou a provocação passar e reiterou seu ponto, explicando que seu objetivo é sempre refletir sobre as dificuldades e contradições enfrentadas pelos artistas negros no Brasil, especialmente quando padrões antigos parecem se repetir.

IZA permanece em silêncio, mas o debate segue

Até o momento, IZA não se manifestou publicamente sobre a controvérsia. No entanto, o debate já reverbera por toda a cena musical, convidando o público e os artistas a repensarem as estruturas de poder, autoria e identidade que permeiam a produção cultural.

Essa discussão evidencia o quanto a representatividade na música vai além da presença em palco e da voz. Trata-se também de quem tem o poder de contar histórias, de criar narrativas e de ser reconhecido por isso. O reggae, gênero nascido da resistência negra, ganha uma camada extra de significado ao ser questionado sobre quem pode legitimamente assiná-lo.

Para a comunidade LGBTQIA+, que também enfrenta seus próprios desafios de visibilidade e autoria, a reflexão provocada por Rico Dalasam é um convite a fortalecer alianças e a valorizar a autenticidade nas expressões artísticas. Afinal, ocupar espaços não basta: é preciso transformar as estruturas que historicamente excluem vozes periféricas e marginalizadas.

O debate entre Rico Dalasam, IZA e Jota.pê é um termômetro cultural que mostra como a arte pode ser um poderoso campo de batalha e também de diálogo para as questões raciais e sociais que atravessam o Brasil contemporâneo. Mais do que uma polêmica, é um chamado à consciência e à ação para que a música seja um espaço verdadeiramente plural e representativo.

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