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Representação trans na TV cresce, mas futuro é incerto, revela relatório

Personagens trans aumentam na TV em 2025, mas maioria pode desaparecer na próxima temporada
Representação trans na TV cresce, mas futuro é incerto, revela relatório

Personagens trans aumentam na TV em 2025, mas maioria pode desaparecer na próxima temporada

Em 2025, a presença de personagens transgênero na televisão teve um leve aumento, segundo o relatório anual da GLAAD, organização que monitora a representatividade LGBTQIA+ na mídia. Apesar do crescimento, a maioria dessas personagens enfrenta um futuro incerto, com poucos retornos confirmados para a próxima temporada.

Leve avanço, mas risco de retrocesso

O estudo “Where We Are on TV 2025” revelou que o número total de personagens LGBTQIA+ subiu 4%, chegando a 489 na temporada que vai de junho de 2024 a maio de 2025. Desses, 33 se identificam como transgênero, o que representa um aumento de 1,6% em relação ao ano anterior.

No entanto, apenas quatro personagens trans estão confirmadas para retornar em séries renovadas, enquanto 61% não voltarão na próxima temporada devido ao fim das séries ou formatos limitados. Isso pode resultar em uma queda significativa na visibilidade trans na TV em 2026.

Onde a representatividade floresce

Plataformas de streaming se destacam como os espaços com maior crescimento na diversidade, enquanto canais tradicionais e a TV a cabo enfrentam declínio no número de personagens LGBTQIA+. Séries como “Heartstopper”, da Netflix, que traz jovens personagens LGBTQIA+ incluindo trans e não-binários, são exemplos de narrativas que conquistaram o público e desafiaram discursos transfóbicos.

Além disso, “Dragon Prince” também é citado pelo relatório por incluir personagens queer em sua trama infantil e familiar.

Desafios e pressões culturais

Sarah Kate Ellis, presidente da GLAAD, destacou que, apesar do aumento da desinformação e do discurso anti-trans, a organização continua pressionando a indústria do entretenimento para manter e ampliar a diversidade nas histórias contadas.

Por outro lado, grupos conservadores criticam a inclusão de temas LGBTQIA+ em conteúdos infantis, como no caso da Netflix, acusada de promover uma agenda contrária aos valores familiares tradicionais. Relatórios recentes de organizações como a Concerned Women for America apontam para uma presença significativa de mensagens LGBTQIA+ em programas infantis, gerando debates acalorados.

Contexto político e mudanças na indústria

Empresas como a Disney também enfrentam dilemas ao lidar com a diversidade em suas produções. Em 2024, a gigante do entretenimento cortou diálogos relacionados a personagens trans em uma série da Pixar, justificando a decisão pela vontade de respeitar o tempo e o modo com que os pais querem abordar esses temas com seus filhos.

Esse movimento ocorre em meio a pressões políticas, especialmente em estados como a Flórida, onde leis restringem discussões sobre orientação sexual e identidade de gênero nas escolas, reforçando a tensão entre representatividade e conservadorismo cultural.

Reflexões finais

A presença crescente de personagens trans na TV é um avanço importante para a visibilidade e a representatividade da comunidade LGBTQIA+. Contudo, o cenário instável das renovações e o aumento das resistências políticas indicam que essa conquista ainda está longe de ser consolidada.

Para a comunidade LGBTQIA+, especialmente para pessoas trans, essas narrativas na mídia são fundamentais para fortalecer identidades, combater preconceitos e promover empatia. É preciso continuar lutando para que esses personagens não sejam apenas uma tendência passageira, mas sim parte permanente e natural da cultura audiovisual.

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