Em relato emocionado, Camilla expõe violência que marcou sua juventude e fala sobre combate ao abuso contra mulheres
A Rainha Camilla, esposa do Rei Charles III, abriu seu coração pela primeira vez ao compartilhar um episódio traumático de sua adolescência: um ataque sofrido enquanto estava em um trem. Em conversa franca no programa Today da BBC, ela revelou que esse episódio perturbador esteve “escondido na sua memória por muito tempo”.
Um relato de força e resistência
Na ocasião, ainda jovem, Camilla estava lendo um livro quando um rapaz, que ela inicialmente confundiu com um homem mais velho, a atacou. Sem conhecer o agressor, ela lutou para se defender. Ao desembarcar, sua mãe percebeu sinais do ocorrido, questionando o motivo do cabelo arrepiado e da falta de um botão no casaco da filha.
“Eu havia esquecido aquilo, mas lembro que, na época, senti uma raiva enorme. Pensava: ‘Por que esse rapaz está fazendo isso?’”, contou a Rainha, em um relato carregado de emoção.
Quebrando tabus e dando voz às vítimas
O episódio, que veio a público em um livro do ex-editor real Valentine Low, também revelou que Camilla contou sobre o ataque ao ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson em 2008. Ela relatou ter reagido atingindo o agressor com um sapato e denunciado o caso na estação Paddington, onde o homem foi detido.
Durante o programa da BBC, Camilla participou de um painel com a ex-primeira-ministra Theresa May e John e Amy Hunt. O casal Hunt sofreu uma tragédia pessoal: a esposa e uma filha foram vítimas de um ataque fatal com besta, cometido pelo ex-namorado de uma das filhas. O agressor foi condenado à prisão perpétua, e seus crimes foram atribuídos, em parte, à misoginia violenta promovida por influenciadores nas redes sociais.
A sobrevivente Amy Hunt agradeceu à Rainha por compartilhar sua história, ressaltando a importância de dar visibilidade a experiências de violência.
Compromisso real com a luta contra a violência
Camilla destacou que o trauma “permanecia silencioso por muitos anos” e que, ao ouvir relatos como o de John e Amy, sentiu um chamado para agir. “Muita gente não sabe o quão grave é essa situação. A maioria prefere não saber. É um assunto tabu há tanto tempo, as pessoas não falavam sobre isso. Se eu tenho uma pequena tribuna, quero usá-la para reunir pessoas e promover a conversa.”
Seu posicionamento público reforça a urgência de derrubar o silêncio em torno da violência contra mulheres e de mobilizar esforços para a prevenção e o apoio às vítimas.
Este relato da Rainha Camilla traz à tona a complexidade das experiências femininas, inclusive entre figuras públicas, e reforça a necessidade de empatia e ação coletiva. Ao dar voz a essa dor, ela inspira a comunidade LGBTQIA+ e todos os grupos vulneráveis a também romperem o silêncio e buscarem justiça e acolhimento.
Em tempos em que a violência de gênero ainda assombra muitos lares, o gesto da Rainha Camilla é um lembrete poderoso de que nenhum trauma deve ser invisível. Sua coragem em compartilhar uma história tão pessoal ilumina caminhos para o diálogo e a solidariedade, especialmente em uma sociedade que luta por mais inclusão e respeito.
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