Maike Schwinum desmistifica o clichê da ‘geração diferente’ e chama a comunidade para responsabilidade contra discriminação
Quantas vezes você já ouviu a frase “eles são de outra geração” para justificar um comentário preconceituoso ou uma atitude discriminatória? Seja em rodas de família, no trabalho ou em encontros casuais, essa desculpa é usada para minimizar ofensas racistas, homofóbicas ou xenofóbicas. Mas será que isso realmente é aceitável? A jornalista Maike Schwinum, voz importante no debate sobre questões LGBTQIA+, nos convida a refletir: engstirnigkeit, ou seja, a mente fechada, não é exclusividade de uma geração, mas um desafio que atravessa todas as idades.
Desconstruindo o mito da ‘geração diferente’
É comum associar preconceitos a pessoas mais velhas, como se fossem frutos de uma época passada, ultrapassada e, portanto, justificável. No entanto, Maike questiona essa visão simplista. Ela nos lembra que existem muitas pessoas acima dos 60, 70 e 80 anos que se mostram abertas, dispostas a ouvir, a aprender e a desconstruir preconceitos. O que realmente importa não é a idade, mas a disposição para a empatia e para o respeito ao outro.
O exemplo pessoal da autora ilustra bem essa perspectiva. Seu avô, com mais de 90 anos, inicialmente não compreendia sua relação amorosa, mas com diálogo e paciência, tornou-se um apoiador genuíno. Esse processo mostra que a mudança é possível e que a idade não pode ser usada como escudo para justificar posturas discriminatórias.
O impacto real da relativização do preconceito
Ao justificar ofensas com o argumento de “serem de outra geração”, o que se faz na prática é minimizar a dor e a vivência de quem sofre o preconceito. Essa desculpa protege o conforto daqueles que discriminam, enquanto invisibiliza o impacto emocional das vítimas. Maike enfatiza que a responsabilidade deve ser assumida, e que o respeito não deve ser um privilégio, mas um direito.
Além disso, essa narrativa também é injusta para os muitos idosos que realmente se esforçam para ser aliados e que, mesmo com limitações, buscam entender e apoiar as causas LGBTQIA+. Reconhecer essa diversidade dentro das gerações é fundamental para fortalecer a convivência e o diálogo intergeracional.
Próximos passos para a comunidade LGBTQIA+
Essa reflexão traz um chamado para a comunidade LGBTQIA+ também: embora não sejamos responsáveis pela ignorância alheia, podemos contribuir para um ambiente de diálogo e acolhimento, ajudando a desarmar preconceitos com paciência e informação. A luta por respeito e direitos não se limita a uma faixa etária, mas é um compromisso coletivo e contínuo.
Em suma, engstirnigkeit não é uma questão de idade, mas de escolha. A escolha de manter-se aberto, de ouvir o outro, de reconhecer a humanidade por trás das diferenças. É um convite para que cada um, independentemente da geração, assuma seu papel na construção de uma sociedade mais justa e acolhedora.
Na jornada da representatividade e do respeito, entender que o preconceito não tem idade é libertador. É o passo essencial para que possamos criar pontes verdadeiras entre gerações, fortalecendo a comunidade LGBTQIA+ e ampliando o horizonte de empatia e amor. Afinal, o mundo que queremos é aquele onde todas as vozes sejam ouvidas e todas as identidades respeitadas, sem exceções.
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