Cantor negro e queer revela sua jornada de autodescoberta entre Suécia e Congo
Conhecido anteriormente pelo nome artístico Tusse, o cantor e compositor Toussaint Chiza decidiu abraçar seu nome verdadeiro e sua identidade queer em uma jornada profunda de autoconhecimento e afirmação. Nascido na República Democrática do Congo e criado na Suécia, Toussaint compartilha com orgulho sua trajetória marcada pela busca por pertencimento, representatividade e a coragem de se mostrar integralmente para o mundo.
Entre duas culturas, a força da ancestralidade
Crescer entre a cultura congolesa e a sueca trouxe para Toussaint desafios e aprendizados únicos. Em sua infância, ele sentiu-se invisível na família congolesa, mas encontrou espaço para crescer e se expressar na comunidade sueca de Dalarna. A escolha de usar o nome artístico “Tusse” foi uma tentativa inicial de se encaixar, mas que não refletia sua essência.
Uma viagem decisiva a Kinshasa, sua cidade natal, e a experiências na África do Sul, especialmente em Cape Town, fizeram Toussaint confrontar a complexidade de suas raízes e sua identidade negra. Ele relata a sensação estranha de não se destacar em ambientes majoritariamente negros, como se uma “superpotência” tivesse sido temporariamente perdida.
A música como expressão e libertação
Para Toussaint, a música não é apenas uma carreira, mas o núcleo de sua existência. Em estúdio, ele buscou incessantemente uma voz autêntica, que carregasse toda a sua história e suas nuances. A arte tornou-se também o canal para expressar sua vivência queer, uma dimensão de sua identidade que ele agora assume publicamente.
O lançamento do álbum “It Takes A Village To Love A Child” e uma turnê prevista para os próximos meses são celebrações dessa nova fase, onde Toussaint convida o público a conhecer seu verdadeiro eu, sem filtros.
Queer e negro: um manifesto de autenticidade
Revelar sua identidade queer foi um passo importante e delicado para Toussaint, especialmente por lidar com expectativas tradicionais dentro da família congolesa, onde questionamentos sobre casamento e heteronormatividade são comuns. Ele descreve as conversas com sua família sueca e congolesa como contrastantes, mas fundamentais para seu processo de aceitação.
Para ele, ser “um homem congolesa, sueco, negro e queer” é um ato de resistência e amor próprio. Sua história inspira e fortalece a comunidade LGBTQIA+, especialmente pessoas negras que também navegam entre múltiplas identidades culturais.
Mais que uma história pessoal, um impacto social
Ao assumir sua autenticidade, Toussaint Chiza representa uma voz necessária para a diversidade dentro da música e da sociedade. Sua trajetória aponta para a importância de espaços onde pessoas LGBTQIA+ negras possam se reconhecer e se expressar livremente, rompendo estigmas e preconceitos.
A reinvenção de Toussaint é um lembrete poderoso de que identidade é um mosaico em constante construção, e que o amor por si mesmo é a base para qualquer transformação social verdadeira.
Em tempos em que a representatividade importa mais do que nunca, Toussaint mostra que assumir quem se é — na sua totalidade queer e negra — é um ato de coragem e um convite para a comunidade LGBTQIA+ se orgulhar de suas raízes e trajetórias únicas.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


