Ator reflete sobre representatividade, amor livre e desafios da assexualidade na TV brasileira
Matheus Nachtergaele, aos 57 anos, segue brilhando na TV, no cinema e no teatro, e agora traz à tona uma conversa essencial sobre a assexualidade e o futuro da sigla LGBTQIA+. Em sua mais recente interpretação como Poliana na novela “Vale Tudo” (Globo), o ator enfrentou o desafio de representar um personagem que traz à tona a letra A da sigla, pouco explorada e muitas vezes invisibilizada na mídia: a assexualidade.
Para Matheus, essa inclusão na trama, feita com sutileza e respeito pela autora Manuela Dias, abre portas para um debate maior sobre as múltiplas formas de amar e se relacionar. “A sigla LGBTQIA+ é temporária. É para irmos nos acostumando com a liberdade que o amor sempre teve, libertando as consciências, abrindo espaço para as formas de amar, que são infinitas”, afirma. Ele imagina que, num futuro próximo, o H de heterossexual poderá integrar a sigla, até que, finalmente, não precisemos mais de nomes e a bandeira do arco-íris seja apenas a bandeira do amor.
Uma carreira pautada pela arte e pela responsabilidade social
Matheus conta que seu motor na vida é a arte, que o mantém vivo e conectado com o mundo. Depois de meses emendando trabalhos, incluindo a volta triunfal em “O Auto da Compadecida 2” e a série “Cidade de Deus — A Luta Não Para”, ele abraçou a oportunidade de interpretar Poliana, um personagem que, apesar de sua doçura e solidão, traz um tema delicado e urgente para a televisão brasileira: a assexualidade.
O ator se dedica intensamente a cada papel, assistindo a todos os capítulos das novelas em que atua e preparando seu texto com afinco. “Quando estou fazendo novela, meu senso de responsabilidade fica aumentado”, explica, destacando a importância de sua presença na TV aberta, que alcança públicos diversos em todos os cantos do país, incluindo aldeias, quilombos e favelas.
Processo de Conscerto do Desejo: uma homenagem à mãe e à poesia
Além da TV e do cinema, Matheus carrega no coração uma obra teatral muito especial: “Processo de Conscerto do Desejo”, espetáculo que reúne poemas escritos por sua mãe, Maria Cecília, que cometeu suicídio quando ele tinha apenas três meses. A partir dos poemas que descobriu na adolescência, ele construiu uma peça que é, para ele, um ato de amor e catarse, uma forma de se reconectar com a mãe e com a própria vida.
O espetáculo é um dos trabalhos mais preciosos da carreira do ator, que vê no desejo não apenas uma força criativa, mas o que o move para continuar vivendo e se reinventando, mesmo diante dos desafios da idade e da saúde.
Reflexões sobre liberdade, identidade e futuro
Matheus Nachtergaele traz à tona a importância da representatividade e da visibilidade das pessoas assexuais dentro da comunidade LGBTQIA+, mostrando que o amor é plural e não cabe em rótulos rígidos. Sua visão sobre o futuro da sigla é otimista: ele acredita que a sociedade caminha para uma maior inclusão e que, em breve, as fronteiras entre as orientações sexuais se tornarão menos relevantes, deixando espaço apenas para o amor genuíno.
Com sua trajetória marcada pela sensibilidade e pela coragem de abordar temas complexos, Matheus inspira a comunidade LGBTQIA+ a celebrar a diversidade das formas de amar e a lutar por um mundo onde todas as identidades sejam acolhidas e respeitadas.
O diálogo aberto sobre assexualidade na novela e o pensamento progressista do ator refletem uma transformação cultural importante, que reforça o papel da arte como ferramenta de inclusão e empatia. Para a comunidade LGBTQIA+, é um sinal de que a representatividade está avançando, ainda que lentamente, e que cada vez mais vozes serão ouvidas e celebradas.
Matheus Nachtergaele nos lembra que o amor, em todas as suas manifestações, é uma bandeira que deve unir, acolher e libertar. Sua carreira e seu posicionamento são um convite para que a gente se permita enxergar além das siglas e se conecte com o que realmente importa: a liberdade de ser e amar quem somos.
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