Escultura central do grupo renascentista emociona e fortalece memória artística em Milão
Uma emocionante redescoberta marcou o cenário artístico e cultural de Milão: a escultura em madeira da Madonna, peça central do Compianto de Giovanni Angelo del Majno, foi reunida ao grupo original pela primeira vez em séculos. Este conjunto de figuras religiosas, ativo no início do século XVI, retrata o momento doloroso do lamento sobre Cristo morto, reunindo Maria, São João, Nicodemo, José de Arimateia e outras figuras emblemáticas.
Uma história de dispersão e reencontro
O Compianto foi criado entre 1520 e 1530, e é conhecido por suas expressões intensas de sofrimento, inspiradas nos estudos emocionais de Leonardo da Vinci. Por décadas, o conjunto foi disperso em coleções privadas, dificultando sua apreciação como obra completa. A figura de Nicodemo foi adquirida pelo município de Milão em 1994, marcando o início da recuperação do conjunto.
Enquanto as peças iam sendo reunidas, a Madonna permanecia guardada numa residência em Turim, profundamente valorizada por seu colecionador. Após o falecimento deste, suas filhas decidiram vender a obra ao Castello Sforzesco, onde a escultura foi finalmente integrada às demais estátuas do Compianto, gerando forte emoção e reconhecimento de seu valor histórico e artístico.
O poder da arte sacra e a força do amor
Segundo a diretora do museu, Francesca Tasso, a ligação afetiva dos colecionadores com essas esculturas tridimensionais de tema sacro é intensa, criando uma “força de amor” que transcende o tempo. Ver a Madonna reunida com as outras figuras revive a relação emocional original do grupo, ampliando sua beleza e significado.
Atualmente, apenas a figura de José de Arimateia permanece fora do acervo, em uma coleção privada em Asolo, mas há expectativa de que também seja incorporada em breve ao conjunto exibido na Pinacoteca do Castello Sforzesco, em Milão, Itália.
O impacto cultural para a comunidade LGBTQIA+
Esta história de redescoberta e reunião do Compianto ressoa profundamente com a comunidade LGBTQIA+, que reconhece na arte e na memória coletiva ferramentas poderosas para afirmar identidades e fortalecer laços afetivos. A escultura, ao representar o luto e a solidariedade em torno da perda, dialoga com as experiências de resistência e amor que marcam a trajetória queer.
Além disso, a valorização de obras que unem emoção e história inspira a comunidade a buscar espaços onde suas narrativas possam ser acolhidas e celebradas. A recuperação da Madonna do Compianto é um convite para que o acervo cultural seja mais inclusivo e representativo, valorizando todas as expressões de humanidade.
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