Homem revela casamento forçado para escapar da homofobia e luta por vida autêntica no Reino Unido
Em uma história que revela as complexas camadas da busca por liberdade e aceitação, Marius Kamna, um homem de 35 anos, fugiu de Camarões para o Reino Unido alegando ser gay e buscando asilo para escapar da severa homofobia de seu país. No entanto, ele deixou para trás uma esposa e um filho, fato que não foi informado ao painel de imigração que concedeu seu status de refugiado.
Marius viajou ao Reino Unido inicialmente para participar da conferência climática da ONU em Glasgow em 2021. Após o evento, decidiu solicitar refúgio alegando sua orientação sexual. O que seus colegas de conferência não sabiam era que, para sobreviver em uma sociedade tão hostil à diversidade, ele havia se casado com Segning, com quem tem um filho de sete anos, Emanuel.
Casamento como estratégia de sobrevivência
Em entrevista, Marius explicou que seu casamento foi uma manobra para fugir da rejeição familiar e social. Após revelar sua homossexualidade na adolescência, foi expulso de casa pelos pais. Para reconquistar a aprovação familiar, aceitou se casar e fingir uma mudança de comportamento. “Eu fingia que estava mudando”, contou. “Um oficial foi subornado, assinei documentos e pedi perdão à minha família.”
Apesar de ter vivido esse casamento heterossexual e ser pai, Marius afirma que sua verdadeira identidade é gay desde os 15 anos e que o matrimônio foi uma farsa necessária para proteger sua vida em Camarões, onde pessoas LGBTQIA+ enfrentam perseguição, estigma e penalidades legais severas.
Nova vida e luta por autenticidade no Reino Unido
Desde que chegou ao Reino Unido, Marius não viu pessoalmente seu filho, mas mantém contato por telefone e envia ajuda financeira para a mãe da criança. Atualmente, ele possui o status oficial de refugiado e trabalha como mecânico de veículos pesados em Newport, perto de Cardiff, onde vive com seu parceiro Jonathan, um também refugiado da Serra Leoa.
Apesar de ter enfrentado rumores maldosos dentro da comunidade migrante local, Marius reafirma sua identidade gay e celebra a oportunidade de viver autenticamente. “Eu sou gay desde os 15 ou 16 anos. Tive muitos segredos e fui perseguido, mas estou muito feliz aqui”, disse ele, destacando a importância de poder ser quem realmente é sem medo de represálias.
Reflexões sobre o pedido de asilo por orientação sexual
O caso de Marius Kamna traz à tona a delicada questão do pedido de asilo baseado na orientação sexual, que representa cerca de 2% dos pedidos no Reino Unido. Enquanto alguns questionam a veracidade de tais alegações, é importante lembrar que em países como Camarões, ser LGBTQIA+ pode significar risco real de vida e exclusão social.
O relato de Marius é um lembrete contundente das múltiplas camadas da experiência LGBTQIA+ em contextos de migração e asilo, onde a busca por liberdade pode exigir sacrifícios dolorosos e decisões difíceis.
Essa história toca profundamente a comunidade LGBTQIA+, pois revela a coragem de viver a própria verdade diante do medo e da repressão. É um convite à empatia e à compreensão das complexidades que envolvem a migração por identidade de gênero e orientação sexual, reforçando a necessidade de acolhimento e respeito às trajetórias diversas que compõem nossa comunidade.
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