Papel da Natura entrou no radar após acordo com a Advent e troca no conselho. Saiba o que aconteceu e por que isso repercute.
A natu3, código das ações da Natura na Bolsa, entrou em alta nas buscas no Brasil nesta terça-feira (31) depois que a companhia anunciou um acordo com o fundo Advent International e uma ampla mudança em sua governança. O movimento foi comunicado na segunda-feira (30), e os papéis reagiram com forte valorização no pregão seguinte.
Segundo fato relevante da empresa, a Natura firmou um compromisso vinculante para vender entre 8% e 10% das ações para a Advent, em uma operação que pode ser concluída em até seis meses, com preço médio de R$ 9,75 por ação. A notícia foi lida pelo mercado como um sinal de confiança no processo de reorganização da companhia, que vem passando por um ciclo de enxugamento e revisão estratégica.
Por que a natu3 está em alta no Google hoje?
O interesse por natu3 cresceu porque a reação do mercado foi imediata. Após o anúncio, as ações da Natura dispararam e chegaram a subir 12,66% na manhã desta terça, sendo negociadas a R$ 10,42, na máxima do pregão informada pela Folha. A oscilação foi tão intensa que os papéis chegaram a entrar em leilão, mecanismo usado pela Bolsa para interromper temporariamente as negociações em momentos de volatilidade mais forte.
Além da entrada da Advent, outro ponto que chamou atenção foi a saída do trio fundador — Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos — do conselho de administração. Eles devem migrar para um novo conselho consultivo, ainda a ser instituído, sem poder decisório. Fábio Barbosa, que participou do processo de simplificação da empresa nos últimos anos, também deve deixar o conselho de administração para integrar esse novo colegiado.
Na prática, o mercado leu o pacote como uma sinalização de novo ciclo. Com participação minoritária, a Advent poderá indicar dois membros para o conselho de administração e participar de comitês de assessoramento. Já a presidência do conselho deve ficar com Alessandro Carlucci, enquanto o CEO João Paulo Ferreira permanece no cargo.
O que muda na Natura com a entrada da Advent?
De acordo com a companhia, os fundadores e Fábio Barbosa passarão a compor um órgão estatutário voltado à preservação dos propósitos, dos valores e da cultura da marca. Esse novo conselho consultivo não terá funções executivas nem poder de representação da empresa. Ou seja: a influência simbólica e institucional dos criadores permanece, mas a estrutura formal de decisão muda.
Também foram anunciados novos nomes para o conselho de administração, como Pedro Villares, Guilherme Passos e Luiz Guerra. Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto ainda passarão por eleição para integrar o grupo. As alterações, porém, dependem de aprovação em assembleia.
Para analistas do BTG Pactual, citados pela Folha, a entrada de um investidor financeiro como a Advent agrega credibilidade e pode funcionar como catalisador para uma reprecificação das ações. A leitura vem depois de um período de forte volatilidade para a Natura e em meio a uma reestruturação ainda em andamento.
Como está a situação financeira da companhia?
A Natura tenta virar a página depois de uma fase difícil. Em conferência com analistas neste mês, o CEO João Paulo Ferreira afirmou que 2026 seria um ano para acelerar o crescimento após um período de enxugamento. Esse processo incluiu a venda de ativos como Avon International, Avon América Central e República Dominicana e Avon Rússia, além da demissão de cerca de 1.400 funcionários.
Nos números mais recentes, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 321 milhões no quarto trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, o Ebitda recorrente chegou a R$ 978 milhões, alta de 57,2% na comparação anual e acima do esperado pelo mercado. A receita líquida no período foi de R$ 6,1 bilhões. Já a marca Natura no Brasil teve queda de 2,2% na receita do quarto trimestre, também na comparação ano a ano.
A companhia, fundada em 1969 e sediada em Cajamar (SP), soma 1.084 lojas no Brasil, entre unidades próprias e franquias. Em paralelo ao ajuste financeiro, a empresa segue sendo lembrada no debate público por sua imagem ligada à sustentabilidade e à diversidade corporativa — um ponto que ajuda a explicar por que a movimentação em torno da marca desperta interesse para além do mercado financeiro.
Para parte do público LGBTQ+, a Natura também aparece com frequência como referência em campanhas inclusivas e em discussões sobre diversidade no ambiente de trabalho. Isso não altera os fatos financeiros do momento, mas amplia o alcance do tema: quando uma empresa com esse posicionamento entra em reestruturação, muita gente acompanha não só o desempenho da ação, mas também os sinais de continuidade de sua cultura institucional.
Na avaliação da redação do A Capa, o caso de natu3 chama atenção porque mistura dois assuntos que hoje pesam muito para a reputação de grandes marcas no Brasil: governança e valores institucionais. A entrada de um fundo como a Advent pode ser positiva para o mercado, mas a criação de um conselho consultivo para preservar o legado dos fundadores mostra que a Natura tenta equilibrar eficiência financeira com identidade de marca — algo especialmente sensível para consumidores que valorizam diversidade, sustentabilidade e responsabilidade social.
Perguntas Frequentes
O que é natu3?
Natu3 é o ticker, ou código de negociação, das ações da Natura na Bolsa brasileira. É por esse nome que investidores e o público encontram o papel no mercado.
Por que as ações da Natura subiram?
Os papéis reagiram ao anúncio de venda de 8% a 10% das ações para a Advent e à reformulação do conselho, medidas vistas pelo mercado como sinal de confiança e reorganização.
Os fundadores saíram da Natura?
Eles não estão deixando a empresa por completo, mas devem sair do conselho de administração e migrar para um novo conselho consultivo, sem poder decisório.
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