in

TJMT condena deputado por discurso homofóbico contra MT Queer

Deputado Gilberto Cattani é condenado a indenizar associação LGBTQIA+ por ofensas públicas
TJMT condena deputado por discurso homofóbico contra MT Queer

Deputado Gilberto Cattani é condenado a indenizar associação LGBTQIA+ por ofensas públicas

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) deu um passo importante contra o discurso de ódio e a homofobia ao condenar o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) a pagar uma indenização de R$ 20 mil à Associação Cultural MT Queer. A decisão veio após o parlamentar proferir falas homofóbicas e misóginas direcionadas ao grupo, que é referência no apoio e na promoção cultural da comunidade LGBTQIA+ em Mato Grosso.

Discurso odioso ultrapassa crítica política

Durante o julgamento, o desembargador Rubens de Oliveira Filho destacou que as declarações do deputado ultrapassaram a mera crítica política, configurando um discurso odioso e intolerante. Cattani usou seu cargo para divulgar mensagens que estigmatizam a atuação da MT Queer, principalmente em relação ao trabalho audiovisual da associação, que inclui a produção de curtas-metragens voltados para o público LGBTQIA+.

“As expressões utilizadas em relação à preocupação com crianças e adolescentes expostas a ideologias LGBTQIA+ reproduzem falas típicas de discurso homofóbico”, afirmou o desembargador, ressaltando que o parlamentar não pode se amparar na imunidade parlamentar para praticar ofensas e disseminar preconceito.

Ofensas e desinformação nas redes sociais

No processo, a MT Queer detalhou que, em 24 de novembro de 2023, Cattani publicou em seu Instagram um dos trabalhos produzidos pela associação, acompanhando o conteúdo com acusações infundadas. Ele alegou que os atores usavam uniformes da rede pública estadual para fazer apologia à “ideologia de gênero” e incentivá-los a práticas questionáveis.

Além disso, o deputado afirmou erroneamente que a associação recebia recursos públicos para seus projetos audiovisuais, o que foi desmentido pela MT Queer, que nunca teve qualquer verba pública destinada a essas produções. Também questionou a utilização do Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros pelo grupo, local público destinado a eventos culturais.

Vitória contra a homofobia institucionalizada

A sentença de primeira instância havia inocentado Cattani sob o argumento de imunidade parlamentar, mas o Tribunal de Justiça reformou essa decisão, reconhecendo o dano causado pela fala homofóbica e a necessidade de reparação. Para a comunidade LGBTQIA+, a vitória representa um marco contra a homofobia institucionalizada e a reafirmação do direito à dignidade e ao respeito.

O caso evidencia como o discurso de ódio pode ser utilizado para deslegitimar e perseguir grupos sociais, mas também mostra que a justiça pode atuar como instrumento de proteção contra esses ataques.

Essa condenação reforça a importância da responsabilidade pública, especialmente de figuras políticas, na promoção de um ambiente de respeito e inclusão para todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Na luta diária por direitos e reconhecimento, a MT Queer e outras organizações LGBTQIA+ demonstram que o combate à homofobia é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e plural. A decisão do TJMT inspira a comunidade a continuar firme, sabendo que a justiça pode ser uma aliada poderosa na defesa da diversidade.

Que tal um namorado ou um encontro quente?

Lance Collard recebe nove semanas de suspensão após uso de slur homofóbico em jogo de futebol australiano

Jogador do St Kilda é suspenso por ofensa homofóbica em partida da VFL

TJ de Mato Grosso determina indenização por falas odiosas contra associação LGBTQIA+

Tribunal condena deputado por discurso homofóbico contra MT Queer