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Ator Arturo Fleitas revive homofobia em filme que retrata Paraguai de 1959

Em 'Narciso', Fleitas interpreta Drácula e denuncia o preconceito da época contra a comunidade LGBTQIA+
Ator Arturo Fleitas revive homofobia em filme que retrata Paraguai de 1959

Em ‘Narciso’, Fleitas interpreta Drácula e denuncia o preconceito da época contra a comunidade LGBTQIA+

O ator Arturo Fleitas, com 85 anos, mergulha na memória dolorosa da homofobia que marcou o Paraguai em 1959 ao interpretar Ricardo Turia, o ator espanhol que dava voz ao personagem Drácula no popular radioteatro daquele período. O filme Narciso, atualmente em cartaz, traz à tona essa história real, revelando o contexto repressivo e o preconceito arraigado da sociedade paraguaia da época.

Radioteatro como espelho social

Fleitas relembra que, durante sua juventude, o radioteatro era uma febre nacional, com rádios ligadas em volume alto em bairros populares de Assunção, capital do Paraguai. “Ouvi o Drácula de Ricardo Turia, cuja voz marcante e risada se tornaram inesquecíveis. Na película, tento reproduzir essa essência”, conta o ator.

Entre o crime e a repressão

O filme retrata o assassinato de Bernardo Aranda, jovem cuja morte chocou o país e desencadeou uma onda de homofobia explícita. Fleitas, que confessa ter sido um “homofóbico irrecuperável”, contextualiza que naquele momento a sociedade via o crime apenas sob uma ótica moralista e preconceituosa, sem relacionar com a repressão política da ditadura de Alfredo Stroessner.

“O crime virou distração para a população enquanto manifestações estudantis e o fechamento do Congresso eram reprimidos violentamente. Eu mesmo fui ferido durante os protestos. A homofobia e a repressão política eram faces da mesma moeda, mas tratadas separadamente”, analisa.

Trabalho autoral e parceria com Marcelo

Arturo Fleitas também destaca sua parceria com o diretor Marcelo, com quem já trabalhou em outros projetos como o curta Karaí Norte. Ele elogia o rigor e a sensibilidade do cineasta, que valoriza a verdade do ator diante da câmera, mesmo quando isso exige esforço emocional.

“O cinema para mim é um descanso do teatro, que fiz por 55 anos. No entanto, o cinema exige uma entrega intensa, porque a câmera não permite mentiras. Em Narciso, isso foi especialmente desafiador nas cenas em que deixo de ser Drácula para encarnar Turia, prestes a ser preso”, revela Fleitas.

Reflexão sobre a homofobia e a cultura LGBTQIA+

O relato de Arturo Fleitas é um importante testemunho da luta contra a homofobia enraizada na sociedade latino-americana, que ainda hoje ecoa em muitos lugares. O filme Narciso traz à luz não só um crime, mas o sofrimento e a resistência da comunidade LGBTQIA+ diante de um sistema opressor e preconceituoso.

Essa obra é um convite à reflexão sobre o passado e um chamado à empatia e à inclusão, mostrando que as cicatrizes da homofobia só começam a cicatrizar quando reconhecemos e enfrentamos essas histórias com coragem e amor.

Para a comunidade LGBTQIA+, revisitar essas narrativas é essencial para entender o quanto avançamos e o quanto ainda precisamos caminhar. A arte, nesse sentido, se torna um instrumento poderoso de visibilidade e transformação social, abrindo espaço para vozes que antes eram silenciadas.

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