Evento celebra vozes queer negras e indígenas com filmes e homenagens em Newark, EUA
O Festival LGBTQ de Newark, em sua quarta edição, retorna com força total entre os dias 30 de abril e 3 de maio, celebrando a produção cinematográfica de cineastas BIPOC queer (negros, indígenas e pessoas de cor) e homenageando a memória da jovem Sakia Gunn, vítima de um crime de ódio em 2003 na cidade de Newark, nos Estados Unidos.
Organizado pelo Newark LGBTQ Center, o festival oferece uma programação intensa com cinco longas-metragens, 35 curtas e dois filmes especiais produzidos por jovens cineastas participantes da Sakia Gunn Legacy Fellowship, um programa que apoia talentos emergentes em homenagem à ativista e símbolo da comunidade LGBTQ negra.
O legado de Sakia Gunn e a força do festival
Sakia Gunn, uma adolescente lésbica negra de 15 anos, foi assassinada brutalmente após rejeitar avanços sexuais de dois homens enquanto esperava um ônibus em Newark. Sua morte chocou a comunidade e impulsionou a criação do Newark LGBTQ Center em 2013, que oferece um espaço seguro e acolhedor para pessoas queer de cor, evitando que tenham que se deslocar até Nova York para buscar apoio.
Além do centro, a memória de Sakia é preservada por murais pela cidade, como o pintado pela artista Tatyana Fazlalizadeh, e pelo próprio festival, que cresce a cada ano. Denise Hinds, presidente do conselho do centro, ressalta que o objetivo é transformar a tragédia em um futuro criativo e inspirador para artistas LGBTQ BIPOC.
Programação diversa e engajada
O festival abre com o curta premiado “Two Black Boys in Paradise” e o documentário “I Was Born This Way”, que narra a vida do Arcebispo Carl Bean, ativista e líder espiritual gay negro, com participações de Lady Gaga e Billy Porter. Na sexta-feira, a exibição do documentário “A Night in Texas” aborda um caso de assassinato e injustiça envolvendo um padre católico gay e um homem apache gay.
No sábado, os filmes produzidos pelos bolsistas da Sakia Gunn Legacy Fellowship serão apresentados em parceria com o Community Media Center, além de exibições especiais como o curta indicado ao Oscar “A Friend of Dorothy” e a restauração do documentário “A Litany for Survival”, sobre a poetisa e ativista Audre Lorde.
O encerramento no domingo traz as produções “Humans of Pride”, que revisita a histórica WorldPride em Nova York, e “Saving Retting Street”.
Impacto e transformação para a comunidade queer
Valencia Bailey, amiga próxima e prima de Sakia, que participa da organização do festival, destaca o poder transformador da iniciativa para jovens cineastas que, ao conhecerem a história de Sakia, encontram esperança e apoio para expressar suas vozes sem medo. O crescimento do festival, que passou de 15 para 40 filmes em poucos anos, é um sinal claro de sua importância cultural e social para a comunidade LGBTQIA+ de Newark e além.
Este festival não é apenas uma mostra de cinema, mas um espaço de resistência e afirmação para pessoas queer BIPOC, lembrando que cada história contada é um passo rumo à visibilidade e ao respeito que a comunidade merece.
Para o público LGBTQIA+, eventos como o Festival LGBTQ de Newark são faróis de representatividade e empoderamento. Eles reforçam que, mesmo diante das adversidades históricas, a cultura queer BIPOC segue criando, inspirando e transformando realidades, celebrando vidas como a de Sakia Gunn e impulsionando novas gerações a se expressarem com orgulho e autenticidade.
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