Justiça da Rússia proíbe o veículo que apoia a comunidade queer há quase 18 anos
Um tribunal na região de Oryol, na Rússia, classificou o portal online Parni+ como uma “organização extremista”, proibindo oficialmente suas atividades no país. A decisão representa um duro golpe para a comunidade LGBTQIA+ russa, pois o Parni+ é uma das plataformas mais antigas e respeitadas que oferece suporte, notícias e orientações sobre saúde sexual para pessoas LGBTQIA+ há quase 18 anos.
Com mais de 30 mil inscritos em seu canal no Telegram, o Parni+ é conhecido por dar voz a histórias e experiências da população queer russa, além de publicar materiais sobre autoaceitação, direitos LGBTQIA+ e relatos de violações. A decisão judicial obriga os organizadores e membros do veículo a cessarem suas atividades sob risco de prisão, apesar do Parni+ afirmar que continuará operando seu site e redes sociais, garantindo que o consumo do conteúdo permanece legal no país.
Repressão e resistência em tempos sombrios
O editor-chefe do Parni+, Yevgeny Pisemsky, que está na lista de “agentes estrangeiros” da Rússia desde 2020 e enfrenta acusações por “propaganda LGBT”, comentou que o Estado russo demonstra que a verdade sobre pessoas LGBTQIA+ é mais ameaçadora para ele do que qualquer tipo de propaganda. Pisemsky também fundou a organização sem fins lucrativos Phoenix+, que apoia pessoas soropositivas no país.
Este episódio ocorre em um contexto de crescente perseguição oficial contra ativistas e veículos que defendem os direitos LGBTQIA+ na Rússia. Recentemente, o jornalista queer Vadim Vaganov, ex-colaborador do Parni+, tornou-se o primeiro indivíduo a ser oficialmente rotulado como “extremista” por sua militância, dentro de um movimento fictício denominado “Movimento Internacional LGBT”, que já havia sido banido pelo Supremo Tribunal russo.
O impacto para a comunidade LGBTQIA+ russa
O banimento do Parni+ simboliza o cerco cada vez maior à liberdade de expressão e à existência da comunidade LGBTQIA+ na Rússia. Em um país onde a visibilidade queer já enfrenta desafios monumentais, a proibição de um veículo que há quase duas décadas promove educação, empatia e direitos humanos é um retrocesso doloroso.
Mesmo com essa tentativa de silenciamento, a força da comunidade LGBTQIA+ russa e seus aliados permanece resiliente. O Parni+ reafirma seu compromisso de continuar lutando e oferecendo suporte, mesmo diante da repressão oficial.
Para o público LGBTQIA+, essa situação reforça a importância da solidariedade internacional e da visibilidade. O cerco à mídia queer na Rússia não é apenas uma questão local, mas um alerta global sobre os riscos que as comunidades enfrentam quando direitos básicos são negados. Manter viva a narrativa e o apoio mútuo é fundamental para resistir ao apagamento e celebrar o amor e a diversidade.
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