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Nova lei no Texas coloca em risco a arte drag e sua comunidade

Proibição de performances drag perto de crianças gera medo e incerteza entre artistas LGBTQIA+ no Texas
Nova lei no Texas coloca em risco a arte drag e sua comunidade

Proibição de performances drag perto de crianças gera medo e incerteza entre artistas LGBTQIA+ no Texas

No Texas, uma nova lei estadual está transformando o cenário das performances drag em um território de risco e medo. Aprovado em 2023 e em vigor desde o mês passado, o Texas Senate Bill 12 restringe duramente apresentações consideradas “sexualmente orientadas” na presença de crianças. Essa legislação afeta diretamente artistas drag, impondo multas que podem chegar a US$ 10 mil para quem for considerado em desacordo, mesmo que o artista não tenha conhecimento da presença de menores.

O impacto direto na comunidade drag

Artistas como May May Graves, drag queen da região de Dallas que se inspira em filmes clássicos de Hollywood e horror, revelam o peso dessa nova realidade. Ela conta que, em eventos onde o público infantil surge inesperadamente, a frustração e o receio crescem. “Eu já me preparei mentalmente desde 2017 para um cenário mais hostil, mas ainda assim, ser pega de surpresa com uma plateia de adolescentes e precisar modificar meu ato na hora é angustiante”, relata.

Outro performer, Buck Wylde, conhecido também como Trigger Mortis, adotou uma postura de precaução máxima: evita sair em drag em público para não correr riscos desnecessários, mesmo que seu figurino seja discreto e nada sexualizado. “Se quiser sentir um inferno, vá a um posto de gasolina vestido de drag. Tento tirar a fantasia antes de sair para evitar problemas”, desabafa.

Uma lei que reforça preconceitos e medo

O texto da lei define como proibidas performances de “um homem se apresentando como mulher ou uma mulher se apresentando como homem” que “apelo ao interesse lascivo em sexo” na frente de crianças. Essa formulação vaga e imprecisa abre brechas para interpretações arbitrárias que colocam qualquer expressão de gênero não conformista sob suspeita.

Além disso, o clima de perseguição é alimentado por campanhas de desinformação nas redes sociais, que associam eventos drag a supostos riscos para crianças, mesmo em situações inocentes, como leituras de histórias em bibliotecas. Esse tipo de narrativa contribui para a estigmatização e criminalização da cultura drag, um espaço historicamente seguro e acolhedor para a comunidade LGBTQIA+.

Resistência e esperança em meio à adversidade

Apesar das dificuldades, artistas drag no Texas continuam a resistir, buscando formas de manter sua arte viva e acessível, sem abrir mão da segurança. Eles reforçam que o drag é uma expressão artística diversa, que pode ser tanto para todas as idades quanto para públicos adultos, e que não há nada inerentemente sexual na performance que justifique esse tipo de censura.

May May Graves e Buck Wylde pedem compreensão dos pais e produtores para que não levem crianças a eventos de drag sem aviso prévio, protegendo assim os artistas de penalizações injustas. “Não coloquem o peso da educação de seus filhos em nós”, alerta Buck.

Essa nova realidade no Texas expõe um conflito maior: o da luta pela liberdade de expressão e pela visibilidade LGBTQIA+, em um contexto político que busca restringir direitos e silenciar vozes dissidentes. O impacto da lei vai muito além do palco; ele reverbera na vida, na segurança e na autoestima de toda uma comunidade.

Por fim, é fundamental compreender que o drag é uma poderosa ferramenta de afirmação identitária e resistência cultural dentro da comunidade LGBTQIA+. Essa arte desafia normas, celebra a diversidade e cria espaços de acolhimento. Criminalizá-la é tentar apagar parte da história e da existência de muitas pessoas que encontram no palco um lugar para serem quem realmente são. É hora de reconhecer o valor da arte drag e lutar contra leis que promovem o medo e a exclusão.

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