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Filho de candidato na Bolívia enfrenta campanha homofóbica nas eleições

Designer boliviano em Paris sofre ataques virtuais por ser filho LGBTQIA+ de político em campanha
Filho de candidato na Bolívia enfrenta campanha homofóbica nas eleições

Designer boliviano em Paris sofre ataques virtuais por ser filho LGBTQIA+ de político em campanha

Em meio à corrida presidencial boliviana de 2025, Ezequiel Doria Medina, designer e filho do candidato Samuel Doria Medina, viu sua vida pessoal se transformar em alvo de uma violenta campanha homofóbica alimentada por desinformação e ataques virtuais. Residente em Paris, onde lidera seu negócio de joias, Ezequiel teve seus vídeos no TikTok usados como munição política em uma disputa marcada pelo preconceito e pela manipulação digital.

Da visibilidade ao ataque: um filho LGBTQIA+ no centro da política boliviana

Crescer sob os holofotes da política boliviana já era um desafio para Ezequiel, que desde cedo entendeu que a exposição trazia riscos. Seu pai, empresário e político conhecido, sempre manteve a família na linha tênue entre a privacidade e a atenção pública. Mas quando Ezequiel decidiu se assumir gay e se expressar livremente nas redes sociais, a situação mudou.

Seus conteúdos, que incluíam danças, filtros divertidos e celebrações do orgulho LGBTQIA+, eram vistos pela família como uma forma de expressão autêntica, ainda que um pouco arriscada diante do cenário conservador do país. A situação escalou quando, durante a campanha presidencial, um áudio falso, provavelmente criado com inteligência artificial, começou a circular, insinuando que a candidatura de seu pai seria prejudicada por ele ter um filho gay.

Fake news e homofobia digital: o peso de ser quem se é

A partir desse episódio, a desinformação se alastrou em plataformas como TikTok, Facebook e WhatsApp. Vídeos antigos de Ezequiel foram tirados de contexto, rumores sobre supostas reuniões secretas com ativistas LGBTQIA+ e planos para criar um “Ministério de Gênero” para “doutrinar crianças” se espalharam. O jovem foi pintado como parte de uma conspiração para transformar a Bolívia, alimentando o medo e o ódio.

O impacto foi tão grande que o próprio presidente da Bolívia chegou a exibir um dos vídeos de Ezequiel em rede nacional, em que ele aparecia com filtros de coelhinho e corações, tentando desarmar as acusações. Enquanto isso, o jovem enfrentava uma enxurrada de comentários de ódio, ameaças e preconceito, que ele aprendeu a ignorar para preservar sua saúde mental.

O contraste entre direitos e preconceitos na Bolívia

Apesar das leis que reconhecem direitos LGBTQIA+ na Bolívia, como a proteção contra crimes de ódio e o avanço gradual no reconhecimento de casais do mesmo sexo, a sociedade ainda convive com forte estigma, especialmente fora das grandes cidades. Essa contradição ficou evidente no caso de Ezequiel, que mesmo vivendo no exterior, não conseguiu escapar do peso do preconceito em seu país natal.

Por outro lado, há sinais de mudança. Jovens LGBTQIA+ bolivianos estão ganhando visibilidade, seja por meio de podcasts, mídias sociais ou jornalismo, tornando-se vozes importantes contra o preconceito e a desinformação.

Reflexão final

A experiência de Ezequiel mostra como a existência autêntica de pessoas LGBTQIA+ pode se tornar um ato político, mesmo quando não há intenção. Em um país onde o preconceito ainda é forte, sua história revela a urgência de ampliar o diálogo e a visibilidade para combater o ódio e promover uma sociedade mais inclusiva.

Para a comunidade LGBTQIA+, episódios como esse reforçam a importância de resistir e ocupar espaços, mesmo diante da hostilidade. A coragem de Ezequiel, ao manter sua identidade e criatividade apesar dos ataques, inspira a luta por reconhecimento e respeito em toda a América Latina.

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