Naor Narkis e seu parceiro foram alvo de insultos e ameaças em cena chocante no Cinemateca de Tel Aviv
Em uma noite de sábado tensa em Tel Aviv, o ativista secular e defensor dos direitos LGBTQIA+, Naor Narkis, e seu parceiro foram brutalmente atacados verbalmente por um grupo de provocadores de extrema-direita. Liderados por Mordechai David, figura alinhada a membros do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, os agressores usaram insultos homofóbicos como “viado” e “traveco”, além de acusações cruéis, dizendo que o casal estava “doente com AIDS”.
Um ataque de ódio no coração de Tel Aviv
O episódio ocorreu quando Narkis e seu parceiro entravam no Cinemateca de Tel Aviv, um local cultural emblemático da cidade. O grupo de extrema-direita não apenas os seguiu e filmou, como tentou bloquear a passagem do casal e os acompanhou até dentro do cinema, mesmo sem possuir ingressos. A situação gerou grande desconforto e tensão, com funcionários do local tendo que intervir para expulsar os provocadores.
Apesar da presença da polícia no local, Narkis relatou que as autoridades nada fizeram para coibir o comportamento abusivo. Ele pediu publicamente que Amir Ohana, deputado abertamente gay e membro do partido Likud, condenasse o ataque homofóbico.
Repercussão e solidariedade
O líder da oposição, Yair Lapid, classificou o ataque como “repugnante e covarde” e ressaltou que ser gay não é um insulto. Lapid reforçou seu compromisso de continuar promovendo a igualdade e os direitos da comunidade LGBTQIA+ no próximo governo, assim como fez em sua gestão anterior.
A Associação para a Igualdade LGBTQIA em Israel (Aguda) também se manifestou, condenando o episódio como um “ponto moral baixo”, destacando a gravidade da situação especialmente pelo fato de Mordechai David receber apoio público de ministros e autoridades do governo, incluindo presença em eventos com oficiais de segurança.
Quem é Naor Narkis?
Naor Narkis é conhecido por sua militância contra a influência ultraortodoxa na sociedade israelense, liderando o movimento “Hozrim Betvuna” (“Voltando à Razão”), criado em 2024 para auxiliar pessoas que desejam sair do mundo ultraortodoxo. Ele também considera se candidatar a eleições pelo partido Democratas, apostando em uma agenda progressista e laica.
O perfil de Mordechai David
Mordechai David tem histórico de ataques a críticos do governo e já participou de eventos com figuras do partido de Netanyahu, incluindo o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir. Ele tem protagonizado diversas provocações públicas, como assediar juízes envolvidos no julgamento de corrupção de Netanyahu e protestos agressivos contra jornalistas árabes israelenses.
Este episódio em Tel Aviv, portanto, não é um caso isolado, mas parte de uma escalada preocupante de hostilidade contra grupos minoritários, com conivência tácita ou explícita de setores do governo.
Impacto e reflexões para a comunidade LGBTQIA+
O ataque homofóbico sofrido por Naor Narkis revela uma tensão crescente no cenário político e social israelense, onde a extrema-direita tem aumentado sua influência e, com ela, o espaço para discursos de ódio contra minorias. Para a comunidade LGBTQIA+, episódios como este reforçam a urgência de mobilização, visibilidade e luta por proteção legal e social.
É fundamental que a solidariedade se estenda além das fronteiras locais, inspirando redes globais a denunciar e combater a intolerância em todas as suas formas. O respeito à diversidade e à liberdade de expressão são pilares que precisam ser reafirmados com ainda mais vigor, para garantir que espaços culturais e públicos sejam seguros para todxs.
Este caso também nos lembra que o ativismo LGBTQIA+ não é apenas uma questão de direitos civis, mas uma luta diária contra preconceitos que podem se manifestar em agressões físicas ou verbais. A coragem de Naor e seu parceiro em denunciar o ocorrido é um chamado para que a comunidade e seus aliados continuem firmes na construção de um mundo mais inclusivo e amoroso.
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