Filme explora a busca por conexão e amor na vida de um jovem gay na capital argentina
Em “A Few Feet Away”, o diretor Tadeo Pestaña Caro apresenta um olhar sensível e íntimo sobre a cultura de pegação gay em Buenos Aires, Argentina. A trama acompanha Santiago, um jovem de 20 anos vivido por Max Suen, que navega pelas complexidades do desejo, solidão e busca por conexão em meio a encontros casuais e o frenético universo dos aplicativos de paquera.
Um dia na vida de Santi: entre a esperança e a insegurança
Santi começa o filme em um apartamento, aguardando um encontro que não acontece, o que já revela sua frustração e vulnerabilidade. Ao longo do dia, ele tenta se conectar com outras pessoas — seja pelo trabalho, pelas redes sociais ou encontros pessoais —, mas percebe-se que ele está perdido entre o que deseja e o que realmente encontra. O filme retrata com delicadeza essa mistura de esperança e insegurança que muitos jovens LGBTQIA+ enfrentam ao buscar amor e prazer.
Seu relacionamento com a melhor amiga Karen, interpretada por Jazmín Carballo, oferece momentos de leveza e conselhos sábios, como a frase que marca o filme: “A vida é as músicas que você dança, não os caras com quem você fica.” Essa máxima aponta para a importância de Santi se encontrar e se definir para além das expectativas alheias.
Entre encontros e desencontros: a complexidade do desejo gay
Ao explorar as nuances dos encontros de Santi, “A Few Feet Away” não se limita a mostrar a superficialidade dos relacionamentos rápidos, mas mergulha na busca por algo mais profundo — seja uma experiência sexual, um namoro ou o amor verdadeiro. A cena com J, um rapaz bissexual, exemplifica essa ambiguidade, mostrando tanto a atração quanto o medo do desconhecido, que faz Santi fugir de uma aproximação íntima.
O filme também aborda as fantasias e inseguranças do protagonista, que se manifesta em conversas e em suas interações com outros personagens, como Lucas e Guido. Essas relações revelam a complexidade dos desejos e a luta interna para ser aceito e desejar sem medo de julgamento.
A festa como palco de autodescoberta
O ponto alto do filme acontece em Club Berlin, um espaço que representa o epicentro da cultura de pegação e liberdade sexual. Através de uma fotografia cuidadosa e uma edição estilizada, o diretor transmite as sensações intensas e a sobrecarga emocional de Santi diante do ambiente repleto de corpos nus e encontros anônimos. Essa sequência traz à tona o contraste entre a excitação e a solidão, o pertencimento e a invisibilidade.
Ao não julgar as escolhas de Santi, “A Few Feet Away” oferece um espelho para os espectadores refletirem sobre os desafios de se relacionar e se amar em um mundo que muitas vezes reduz o desejo gay a um jogo rápido de encontros.
Uma narrativa que acolhe e emociona
Max Suen entrega uma performance que dialoga diretamente com o público, especialmente com jovens LGBTQIA+ que já se viram na posição de Santi — um indivíduo que busca se descobrir e se afirmar em meio a pressões internas e externas. Sua jornada é doce, sexy e, por vezes, triste, mas sobretudo humana e necessária.
“A Few Feet Away” nos convida a refletir sobre o que significa se conectar de verdade, além do toque físico e das telas dos aplicativos. É um convite para que cada um encontre sua própria música para dançar e seu jeito único de amar.
Este filme não é apenas um retrato da cultura de pegação gay em Buenos Aires, mas uma ode à complexidade do desejo e da identidade. Em tempos em que as conexões humanas são frequentemente mediadas pela tecnologia, a história de Santi ressoa como um chamado para a empatia, a paciência e o amor-próprio dentro da comunidade LGBTQIA+.
Para muitos, “A Few Feet Away” será um espelho de suas próprias dúvidas e sonhos, um lembrete de que estar perto não significa estar sozinho, e que a busca por afeto e pertencimento é uma experiência universal, especialmente para quem luta para se encontrar em um mundo que nem sempre acolhe a diversidade.