in

Aceitação LGBTQIA+ em Cyprus enfrenta fogo simbólico de lambradjies

ONG Accept denuncia que queima de bandeiras LGBTQIA+ nas lambradjies alimenta ódio e intolerância
Aceitação LGBTQIA+ em Cyprus enfrenta fogo simbólico de lambradjies

ONG Accept denuncia que queima de bandeiras LGBTQIA+ nas lambradjies alimenta ódio e intolerância

Em Cyprus, uma tradição popular de Páscoa conhecida como “lambradjies” — grandes fogueiras acesas para celebrar a data — vem ganhando um contorno preocupante para a comunidade LGBTQIA+. A organização não governamental Accept – LGBTI Cyprus expressou indignação diante das imagens que mostram bandeiras LGBTQIA+ sendo queimadas nessas fogueiras, classificando o ato como “focos de ódio” que alimentam a violência e o fascismo entre os jovens.

Para a Accept, queimar bandeiras LGBTQIA+ durante as lambradjies não é um simples gesto de vandalismo juvenil, mas sim uma educação para o preconceito que molda a mentalidade dos futuros eleitores, pais, policiais e educadores da ilha. “Quando aplaudimos esses atos hoje, não devemos nos surpreender com as políticas de ódio que eles podem apoiar amanhã”, alertam.

O silêncio das instituições e o impacto social

A organização critica duramente a inação de várias instituições em Cyprus, incluindo a igreja, sindicatos, partidos políticos e o próprio Estado. Segundo eles, o silêncio dessas entidades diante da queima de símbolos LGBTQIA+ envia a mensagem de que certas vidas são menos valorizadas, perpetuando a discriminação e a exclusão.

A Accept exige que a polícia aplique rigorosamente as leis antidiscriminação e contra a incitação ao ódio, propondo ainda a emissão de circulares que orientem as forças policiais locais a impedir a colocação de bandeiras ou símbolos de qualquer grupo, partido político ou minoria nas lambradjies.

Uma chamada para o amor e a proteção do próximo

A ONG reforça que o amor verdadeiro não se manifesta apenas em símbolos religiosos ou gestos superficiais, mas na proteção do próximo, especialmente daqueles que são vulneráveis, como pessoas LGBTQIA+, crianças refugiadas e mulheres. “Se a fé ou a tradição não acolhem essas pessoas, o problema está na fé e na tradição, não nelas”, afirmam.

Este ano, Accept promete não ficar calada diante dessas manifestações de ódio. A organização está documentando os casos, denunciando e cobrando ações efetivas da polícia, ministério, igreja, partidos políticos e autoridades locais para que as lambradjies não se transformem em uma escola de ódio.

“A verdadeira Páscoa é vencer o medo e o fanatismo, não queimar pessoas por procuração”, concluem.

Essa situação evidencia como símbolos e tradições podem ser apropriados para propagar mensagens de exclusão, afetando diretamente a comunidade LGBTQIA+ em Cyprus. É fundamental que a sociedade civil e as instituições se posicionem para garantir que o respeito e a diversidade sejam celebrados, e não reprimidos, durante momentos culturais tão significativos.

Para a comunidade LGBTQIA+, esse episódio reforça a urgência de lutar contra o preconceito enraizado e de promover espaços seguros e acolhedores. A visibilidade e a resistência cultural são ferramentas poderosas para desconstruir o ódio e construir uma convivência baseada na empatia e no amor.

Que tal um namorado ou um encontro quente?

Instituição britânica defende que uso de vestidos por meninos no século XIX reflete diversidade de gênero, gerando críticas

Museu gera polêmica ao associar vestidos de meninos vitorianos à fluidez de gênero

Estilista cria marca que valoriza cultura negra e periférica, vestindo Pabllo Vittar e fortalecendo a identidade LGBTQIA+

Moda periférica do Pirambu: Caio Souza e a Hust Street que empodera