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Aguinaldo Silva diz que Brasil é um dos países menos repressores em relação à homossexualidade

Pronto para estrear a nova novela das 21h, Império, da Globo, o escritor Aguinaldo Silva afirmou à revista Época que não acha que a televisão brasileira esteja exagerando por retratar cada vez mais personagens gays. Segundo ele, que levará pelo menos quatro papéis de pessoas LGBT, a cidadania dos homossexuais é o assunto da década.

"Até o Papa Francisco tem se pronunciado sempre de maneira positiva em relação aos gays. A dramaturgia reflete a nossa realidade e tanto heterossexuais como o homossexuais são telespectadores e consumidores. E já aviso que não escrevo minhas cenas pensando se vai ter ou não beijo gay. Aliás, beijo já deixou de ser novidade, né?", defendeu.

Apesar dos vários personagens em núcleos distintos, Aguinaldo afirma que a novela não pode ser considerada gay. "Império não será gay. E tão pouco vai abordar temas: sempre coloco meu foco nas tramas, nos ganchos. O público pode esperar um grande folhetim".

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O autor também comentou sobre a homofobia e revelou que a primeira experiência de preconceito que recebeu foi aos 12 anos, quando colegas da escola voltaram nele para ser a "Rainha da Primavera". "Sofri muito. Aquilo provocou uma histeria nos meninos, que começaram a me hostilizar. Essa é uma humilhação da qual não se esquece mais".

Porém, de acordo com Aguinaldo, o Brasil é um dos países menos repressores em relação à sexualidade. "Aquela história de que não existe pecado do lado de baixo do Equador vale desde a época do Brasil colônia. Os gays aqui, mesmo nos períodos mais difíceis, como o da ditadura, nunca foram presos ou tiveram que se exilar, como aconteceu na Argentina, e hoje acontece em Cuba, no Irã e na Coréia do Norte".

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Já sobre a vida amorosa, ele diz que não namora há mais de 15 anos, quando se separou em 1998. "Tenho encontros, mas nada sério".

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