Ativista Ysani Kalapalo acusa cantora de desrespeitar tradições no Quarup e usar causa indígena para autopromoção
A recente visita da cantora Anitta à aldeia Kuikuro, localizada no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, se transformou em um episódio carregado de controvérsias. O motivo? Sua participação no Quarup, um ritual sagrado que homenageia os ancestrais já falecidos, foi alvo de duras críticas por parte da ativista indígena Ysani Kalapalo.
Ysani, que tem forte presença nas redes sociais e é reconhecida por seu ativismo em defesa dos povos originários, expôs seu descontentamento em um vídeo público, acusando Anitta de não respeitar as tradições do Quarup. Segundo a ativista, a artista deveria ter seguido códigos específicos da cerimônia, como estar pintada no corpo inteiro e usar apenas adereços, condição fundamental para a participação no ritual. “Ela estava de roupa, dançando, o que já desrespeita o ritual”, afirmou Ysani, ressaltando a importância da preservação cultural indígena.
Acusações de autopromoção e contradições
Além de apontar o suposto desrespeito à tradição, Ysani Kalapalo questionou o compromisso real de Anitta com as causas indígenas. Para a ativista, a presença da cantora teria mais a ver com uma estratégia de autopromoção do que com um engajamento genuíno. “Sabemos que Anitta não contribui efetivamente com o progresso dos povos indígenas. Sua fala é só lacração”, criticou Ysani, que ressaltou que os verdadeiros protetores da natureza são os próprios indígenas.
Em outro momento, Ysani criticou as contradições da artista em relação a ideologias políticas e estilo de vida, dizendo: “Defende socialismo, mas vive uma vida capitalista e luxuosa. Luxo para ela e pobreza para o povo. Não aprecio esse tipo de ser humano”.
Resposta de Anitta e o papel dos povos originários
Em meio à repercussão, Anitta usou suas redes sociais para responder às críticas. A cantora destacou que sua visita ao Xingu foi feita a convite de lideranças indígenas e organizações que lutam pela causa. Ela disse ter vivenciado o Quarup com respeito e admiração, enaltecendo o ritual como uma celebração da memória e trajetória dos ancestrais.
Anitta também enfatizou a importância histórica dos povos originários na preservação das florestas brasileiras e reforçou a necessidade de apoiá-los como guardiões da natureza. Em sua mensagem, a artista mencionou a honra de conhecer o Cacique Raoni, figura emblemática da luta ambiental e indígena no Brasil.
Contexto da ativista Ysani Kalapalo
Ysani Kalapalo, com mais de 800 mil inscritos no YouTube e 120 mil seguidores nas redes sociais, é uma voz influente na defesa dos direitos indígenas. Em 2019, ela discursou na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, a convite do então presidente Jair Bolsonaro. Além disso, participou da segunda temporada do reality show “A Grande Conquista”, da Record, ampliando sua visibilidade pública.
O episódio envolvendo Anitta e Ysani evidencia o delicado equilíbrio entre a valorização cultural indígena e a apropriação ou instrumentalização de suas tradições em nome da fama ou marketing. Para a comunidade LGBTQIA+ e aliados que acompanham o debate, é fundamental refletir sobre o respeito às diversidades culturais e a autenticidade no engajamento social.
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