Cantora quebra tabus ao incorporar orixá em clipe e fala sobre sua relação com a religião
Na última sexta-feira, Anitta surpreendeu seus fãs ao aparecer fumando em seu novo clipe “Desgraça”, faixa do álbum Equilibrium. A cena gerou curiosidade, já que a cantora nunca havia declarado ser fumante. Em resposta, Anitta foi direta: “Não existe nada na vida que eu tenha mais pavor de fazer do que fumar. Mas a pomba-gira fuma. Tudo pela arte”.
Homenagem à cultura afro-brasileira
O clipe é uma verdadeira celebração da religiosidade afro-brasileira, especialmente do candomblé, religião que a cantora se dedica e respeita profundamente. Em “Desgraça”, Anitta encarna um orixá, misturando dança, elementos simbólicos e a força espiritual dessa tradição. A cena do cigarro, que representa a pomba-gira — entidade feminina cultuada no candomblé — reforça a homenagem e o respeito à cultura.
Fé e identidade: um olhar íntimo
Em seu novo álbum, lançado na quinta-feira (16), Anitta explora sua relação com a fé em várias músicas, seja nas letras ou na sonoridade. A cantora carioca já revelou que frequenta o candomblé e o catolicismo, mas se identifica mais com a primeira, dedicando-se a ela na medida do possível em sua rotina agitada.
Ela também expressa admiração e respeito por todas as religiões, desejando que esse sentimento seja recíproco. Sua conexão com o candomblé é tão profunda que, em 2024, ao se vestir de orixá para o clipe de “Aceita”, sofreu ataques de intolerância religiosa, chegando a perder centenas de milhares de seguidores nas redes sociais.
Logun Edé, o orixá que inspira Anitta
Anitta é filha de Logun Edé, um orixá conhecido por sua complexidade: sensível e bravo, inteligente e carinhoso. A cantora traduz essas características em sua música e em sua trajetória, refletindo sua força e vulnerabilidade.
Ao trazer essa vivência para seu trabalho artístico, Anitta convida o público a se conectar com a riqueza da cultura afro-brasileira, além de abrir espaço para conversas sobre fé, identidade e resistência.
Essa demonstração de fé e autenticidade fortalece a representatividade LGBTQIA+ dentro do cenário cultural brasileiro, ao mostrar que é possível celebrar suas raízes e espiritualidade mesmo diante de preconceitos. A coragem de Anitta em expor sua relação com o candomblé em sua arte contribui para desmistificar e valorizar tradições ancestrais que dialogam com a pluralidade de identidades.