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Arca transforma burnout em arte visceral e revolucionária

A cantora e artista trans venezuelana usa a pintura para expressar dores e renascimentos, inspirando a comunidade LGBTQIA+
Arca transforma burnout em arte visceral e revolucionária

A cantora e artista trans venezuelana usa a pintura para expressar dores e renascimentos, inspirando a comunidade LGBTQIA+

Ao longo da última década, Arca, nome artístico de Alejandra Ghersi, tornou-se uma referência mundial na música eletrônica, colaborando com ícones como Madonna e Beyoncé e conquistando fãs por sua sonoridade única e sua presença marcante. Mas foi na arte das telas que a artista trans venezuelana encontrou um novo caminho para curar as feridas do burnout e expressar as complexidades de sua vivência.

Da música para as telas: uma jornada de autodescoberta

Antes de brilhar nos palcos do mundo, Arca enfrentou uma infância marcada pelo isolamento e pela luta interna com sua identidade. Crescendo entre Caracas e Connecticut, ela se sentia desconectada, vivendo em um “closet muito rígido”, onde orava para ser uma pessoa cisgênero e heterossexual. A música foi sua fuga e paixão inicial, mas após anos de intensa carreira, ela se viu esgotada e distante da arte que amava.

Foi então que Arca descobriu a pintura como uma forma de reconectar-se com sua criatividade e processar as violências que viveu. Em um espaço comunitário em Barcelona, onde reside atualmente, ela mergulhou em uma produção frenética de telas carregadas de texturas feitas com óleo, acrílico, spray, glitter, látex e até plástico derretido. Essas obras, batizadas de “Angels”, revelam figuras perturbadoras: sorrisos largos e distorcidos, palhaços grotescos e demônios de olhos arregalados, que expressam tanto sofrimento quanto transformação.

Angels: a mutação do sagrado e do profano

As pinturas de Arca desafiam a visão tradicional dos anjos, apresentando-os como criaturas mutantes, caóticas e abjetas, inspiradas em imagens bíblicas do Antigo Testamento e misticismo medieval. Para ela, a mutação é uma forma de existir e se reinventar, uma metáfora para sua própria trajetória e para a comunidade LGBTQIA+ que resiste e se reinventa diariamente.

Essa coleção não é apenas arte visual, mas um processo terapêutico profundo. Arca reconhece que, mesmo após anos de psicanálise, foi na expressão visceral da pintura que encontrou um caminho para lidar com traumas e fragmentações internas, alcançando um estado de transe criativo que não permite “botão de apagar”.

Uma voz queer que transcende fronteiras

Além das telas, Arca é uma voz poderosa para a comunidade LGBTQIA+, especialmente para pessoas trans e queer latino-americanas. Sua arte e música dialogam com questões de identidade, corpo e resistência, trazendo à tona experiências muitas vezes marginalizadas. Mesmo em contextos difíceis, como sua Venezuela natal, onde a repressão e o machismo ainda são desafios constantes, ela mantém a esperança e a luta por um futuro mais inclusivo e acolhedor.

Após um hiato musical para se dedicar à pintura, Arca prepara o lançamento de um novo álbum, resultado desse processo de cura e reinvenção. Seu trabalho, tanto visual quanto sonoro, continua a inspirar pelo seu poder de vulnerabilidade, autenticidade e inovação.

Arca prova que a arte é uma arma de resistência e um refúgio para a alma queer, capaz de transformar dores profundas em beleza crua e pulsante. Sua trajetória é um convite para que a comunidade LGBTQIA+ abrace suas mutações, celebre suas diferenças e encontre força nas próprias cicatrizes.

Em tempos em que a visibilidade trans ainda enfrenta tantos obstáculos, Arca emerge como um farol artístico que ilumina caminhos de aceitação e empoderamento. Sua pintura é um grito silencioso que reverbera na alma de quem busca se libertar, mostrando que, mesmo nas sombras do burnout, é possível renascer com cores e texturas vibrantes, reinventando o que significa ser e existir.

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