Filme de horror surpreende, mas reproduz clichê doloroso com personagens LGBTQIA+ em mortes violentas
O filme Weapons, dirigido por Zach Cregger, conquistou público e crítica com sua atmosfera tensa, reviravoltas impactantes e um mergulho visceral no gênero do terror. No entanto, por trás do suspense e do horror, emerge um problema que incomoda: o clichê do bury your gays, que se manifesta na brutalidade das mortes dos únicos personagens abertamente gays da trama.
O peso do tropeço LGBTQIA+
Marcus Miller, interpretado por Benedict Wong, e seu marido Terry, vivido por Clayton Farris, são vítimas de cenas de violência extrema e gore explícito no filme. Quando a antagonista Gladys realiza seus feitiços sombrios, Marcus é transformado em uma arma letal, culminando numa morte chocante e gráfica que envolve também Terry. Essas cenas se destacam pelo excesso de violência e pelo impacto emocional, que ressoa de forma ainda mais pesada por envolver personagens LGBTQIA+.
Embora Weapons não seja homofóbico em seu conjunto, ele infelizmente reforça um padrão que ainda persiste na cultura pop: personagens gays frequentemente enfrentam destinos trágicos e sangrentos, enquanto personagens heterossexuais têm mortes menos violentas ou são poupados desse peso dramático. Isso evoca o incômodo bury your gays, um trope que simboliza a marginalização e a dor simbólica da comunidade LGBTQIA+ nas narrativas audiovisuais.
Histórico doloroso: o que é o tropeço ‘bury your gays’?
Desde os anos 1930, a presença de personagens LGBTQIA+ em filmes foi limitada e, muitas vezes, estigmatizada. O Código Hays, que vigorou até os anos 1960, proibia representações abertas dessas identidades, levando a que personagens queer fossem retratados como vilões ou vítimas fatais. Com o tempo, embora as representações tenham se tornado mais abertas e simpáticas, o padrão de tragédias envolvendo personagens LGBTQIA+ persistiu, refletindo sofrimentos reais da comunidade, como a epidemia de AIDS e a violência motivada pela homofobia.
Entretanto, essa narrativa ganhou críticas ao se tornar dominante, sobretudo a partir da metade da década de 2010, quando o público passou a exigir mais representatividade positiva e sobrevivência de personagens queer em séries e filmes. Um estudo de 2016 apontou que mulheres lésbicas e bissexuais na TV tinham três vezes mais chances de serem mortas do que de alcançarem finais felizes.
Quando evitar um problema cria outro
O debate sobre o bury your gays no gênero horror é complexo, pois a morte de personagens é uma constante, independente de orientação sexual. Contudo, Weapons revela um desconforto maior por aplicar um padrão de violência mais brutal aos personagens gays do que aos heterossexuais.
Em uma versão anterior do roteiro, Marcus tinha uma esposa, e sua morte era menos gráfica. Para evitar reproduzir violência doméstica contra mulheres, os roteiristas transformaram o casal em dois homens. Embora a decisão tenha sido possivelmente bem-intencionada, o resultado foi uma representação que acaba reforçando outro tipo de sofrimento narrativo para personagens LGBTQIA+.
Em 2025, quando o cenário da representatividade LGBTQIA+ passa por altos e baixos, com riscos de censura e cancelamentos, cenas como essas em Weapons impactam ainda mais, lembrando que a luta por uma representação diversa, digna e sem clichês dolorosos segue mais necessária do que nunca.
É fundamental que a comunidade e os criadores continuem dialogando e cobrando histórias que não reduzam personagens LGBTQIA+ a símbolos de tragédias extremas, mas que celebrem suas vidas, amores e resistências.
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