Obra de Trackie McLeod transforma espaço em pub funcional com arte, música e drag queens, resgatando vínculos sociais
O jovem artista de Glasgow, Trackie McLeod, está revolucionando o conceito de exposição ao criar um pub totalmente funcional como obra de arte, chamado Utopia. Localizado nos Aviva Studios em Manchester, o projeto vai muito além de uma simples mostra: é um convite para que as pessoas se reencontrem, celebrem a cultura popular e vivenciem um espaço de acolhimento e resistência, especialmente para a comunidade LGBTQIA+ e trabalhadora.
Uma obra que é um pub de verdade
Utopia é um pub onde o artista não só expõe suas criações, mas também serve as bebidas. O espaço conta com um fliperama que distribui moedas de chocolate, uma crítica divertida à exploração das máquinas caça-níqueis, além de um quadro de dardos para jogar em imagens de figuras políticas controversas, como Margaret Thatcher e Donald Trump. Tudo isso permeado por instalações que misturam escultura, impressão e som, além de eventos com DJs e apresentações de drag queens, criando uma atmosfera vibrante e inclusiva.
Raízes, classe e identidade
Para McLeod, o pub é um símbolo das relações sociais das classes trabalhadoras. Ele cresceu frequentando esses espaços para festas de família, celebrações e até desentendimentos. “São locais baratos, cheios de personalidade, onde a gente sentia conforto e pertencimento”, explica. O artista quer resgatar essa sensação de união e coletividade que, segundo ele, está cada vez mais escassa na sociedade atual.
Essa conexão com suas origens também se reflete na obra anterior de McLeod, que aborda temas como masculinidade tóxica e as dificuldades de crescer queer em Glasgow, Escócia. Em suas peças, ele utiliza humor e nostalgia dos anos 2000 para questionar estereótipos e celebrar as múltiplas identidades que compõem sua trajetória.
Arte que fala de inclusão e resistência
Trackie McLeod segue um caminho fora dos circuitos tradicionais do mercado de arte, rejeitando a elitização e o discurso excessivamente conceitual que afasta o público. Ele defende mais espaço para artistas LGBTQIA+, pessoas negras e de classe trabalhadora, pois acredita que a diversidade é o que torna a arte verdadeiramente interessante e representativa.
Apesar das dificuldades financeiras e da falta de apoio institucional, McLeod segue firme, mostrando que é possível criar arte autêntica e acessível, que dialogue com as experiências reais e que provoque reflexão através da alegria e da interação.
Utopia não é apenas uma exposição, mas um manifesto vivo que resgata o valor da convivência, da festa e da solidariedade em tempos de isolamento e individualismo. Para a comunidade LGBTQIA+, espaços como esse representam muito mais do que lazer: são territórios de afirmação, resistência e celebração das identidades plurais.
Ao transformar um ambiente cultural em um pub acolhedor e artístico, Trackie McLeod nos lembra que a arte pode e deve ser um espaço de encontro, onde a diversidade floresce e a comunidade se fortalece. Utopia é um convite para beber, dançar, refletir e, acima de tudo, se sentir em casa.
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