Andry Hernández Romero relata violência física e sexual após ser deportado e preso sob ordem dos EUA
Após 125 dias de silêncio em uma prisão de El Salvador, o artista maquiador venezuelano Andry Hernández Romero finalmente retornou ao seu país e revelou as condições desumanas que enfrentou enquanto estava detido. Sob uma ordem de deportação do governo Trump, ele foi submetido a tortura física e abuso sexual em uma instalação conhecida como CECOT, um local onde pessoas são mantidas em condições degradantes e invisíveis à sociedade.
Andry descreveu a experiência como “um encontro com a tortura e a morte”. Ele e outros detentos foram agredidos com cassetetes, alvejados com projéteis de borracha e confinados em celas escuras. Muitas pessoas apresentavam fraturas, hematomas e marcas visíveis causadas pelo uso excessivo de força e pelas algemas. Esse relato chocante veio à tona após sua libertação e retorno à Venezuela, onde foi recebido por sua família na vila de Capacho, no estado de Táchira.
Deportação controversa e acusações falsas
Hernández foi um dos mais de 250 homens venezuelanos expulsos dos Estados Unidos sob a controversa Alien Enemies Act, uma lei da era da Segunda Guerra Mundial reativada pelo governo Trump para deportações sumárias sem direito a audiências ou análise de pedidos de asilo. Apesar de ter entrado legalmente nos EUA, participado das entrevistas exigidas e não possuir antecedentes criminais, agentes federais alegaram que suas tatuagens indicavam vínculo com uma gangue, algo contestado por seus advogados.
Durante uma entrevista televisionada na Venezuela, Andry também denunciou abuso sexual por parte dos guardas da prisão em El Salvador. A procuradoria venezuelana anunciou que investigará o presidente salvadorenho Nayib Bukele pelos relatos de tortura contra cidadãos venezuelanos. No entanto, o Departamento de Segurança Interna dos EUA rejeitou as acusações, rotulando os deportados como criminosos e membros de gangues, intensificando a polêmica.
Preocupação e apoio da comunidade LGBTQIA+
Advogados que representam Hernández e outros deportados destacaram o impacto físico, verbal e psicológico do que foi vivido na prisão. Melissa Shepherd, do Immigrant Defenders Law Center, afirmou que apesar da alegria pela libertação, o futuro de Andry ainda é incerto e perigoso. Lindsay Toczylowski, cofundadora da organização, ressaltou que o caso é um sinal sombrio do rumo das políticas migratórias, que expõem pessoas vulneráveis a tratamentos cruéis e a serem usadas como peões políticos.
Andry permanece em risco em sua terra natal, onde a liberdade de circulação é limitada pelo regime de Nicolás Maduro, dificultando opções de relocação para um terceiro país. Mesmo assim, o carinho e a mobilização de pessoas em prol de sua segurança lhe trouxeram conforto e esperança. “Nunca estive sozinho desde o primeiro dia”, declarou, emocionado.
O relato de Andry Hernández Romero é um grito por justiça e visibilidade da violência sofrida por homens gays e imigrantes, que enfrentam não apenas a perseguição política, mas a negação de seus direitos básicos. Sua história ecoa como um chamado urgente para que governos respeitem a dignidade humana e protejam as vidas LGBTQIA+ em contextos migratórios e de encarceramento.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


