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Artista performático denuncia discurso homofóbico contra comunidade LGBTQIA+ em Hong Kong

Artista performático denuncia discurso homofóbico contra comunidade LGBTQIA+ em Hong Kong

Holok Chen usa arte para enfrentar preconceitos de legisladores e defender direitos da população LGBTQIA+

O cenário político de Hong Kong tem vivido momentos tensos com a tramitação do projeto de lei que pretende reconhecer parcerias entre pessoas do mesmo sexo. Em uma manifestação impactante, o artista performático Holok Chen e um ativista não identificado realizaram uma performance simbólica em frente ao Registro de Casamentos da Cotton Tree Drive, no Centro, para denunciar o discurso homofóbico e o preconceito presente nas discussões legislativas.

Vestidos como monstros — Chen usando um vestido de noiva e o ativista um smoking —, eles representaram a forma como a comunidade LGBTQIA+ vem sendo demonizada por alguns parlamentares durante as análises do projeto de lei. “Sinto como se estivesse conversando com meu próprio pai ao ler os relatos do Conselho Legislativo, onde são usados termos homofóbicos, alegando que podemos prejudicar crianças e mulheres”, declarou Chen, que se identifica como não binárie e utiliza pronomes they/them.

Uma luta por reconhecimento e respeito

A proposta do governo visa reconhecer parcerias formadas por casais do mesmo sexo que tenham feito uniões em outros países, mas enfrenta forte resistência política. A maioria dos partidos no Conselho Legislativo se posiciona contra o projeto, alegando que isso ameaça os valores tradicionais da família e pavimenta o caminho para a legalização do casamento igualitário — algo que o governo nega.

Durante reuniões, parlamentares como Holden Chow expressaram preocupações sobre a possibilidade de “dois pais” ou “duas mães” adotarem crianças, questionando como educar as futuras gerações sobre os valores familiares tradicionais. Já Priscilla Leung advertiu que a proposta poderia abrir uma “Caixa de Pandora”.

Performance como resistência e convocação

Em resposta a essas declarações, Chen realizou uma performance na semana anterior, usando uma capa arco-íris e carregando uma “Caixa de Pandora” repleta de palavras como “amor” e “esperança”, para ressignificar a narrativa e combater a estigmatização.

Na ação mais recente, Chen ressaltou que a comunidade LGBTQIA+ não deve ser vista como algo a temer ou controlar. A apresentação, acompanhada por uma equipe policial, envolveu a exibição de uma faixa com a palavra “Queertopia”, simbolizando um futuro onde todas as formas de amor e identidade possam florescer sem medo ou discriminação.

Críticas à falta de diálogo e avanço limitado

Chen criticou a ausência de consultas públicas durante os dois anos em que o governo elaborou o projeto, ressaltando que a comunidade LGBTQIA+ foi praticamente excluída do processo. “Enquanto casais heterossexuais têm uma casa garantida, o governo oferece para nós apenas uma ‘placa de metal'”, lamentou o artista, aludindo à natureza restrita dos direitos propostos, que abrangem apenas questões médicas e arranjos pós-vida, sem reconhecimento mais amplo.

Mobilização e esperança

Apesar do ambiente político adverso, Chen convocou apoiadores da causa LGBTQIA+ a participarem de uma petição online liderada pelo ativista Jimmy Sham, que busca incentivar o envio de comentários públicos a favor da lei. A expectativa é que a mobilização ajude a pressionar a aprovação e implementação de um marco legal que respeite e proteja as uniões entre pessoas do mesmo sexo em Hong Kong.

Enquanto o Conselho Legislativo se prepara para o debate final e votação do projeto, marcado para acontecer após o recesso de agosto, a comunidade LGBTQIA+ e seus aliados seguem firmes na luta por dignidade, direitos e representatividade, mostrando que o amor e a diversidade são forças invencíveis mesmo diante do preconceito.

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