Conheça quatro criadores queer que transformam arte e comunidade na maior mostra de estúdios dos EUA
Minneapolis, nos Estados Unidos, se prepara para a edição 2026 do Art-a-Whirl, o maior festival de estúdios de artistas abertos ao público do país. Entre mais de 1.600 participantes espalhados por mais de 100 locais no bairro Northeast, quatro artistas LGBTQ+ ganham destaque por suas trajetórias únicas, suas obras cheias de identidade e pela forte conexão com a comunidade queer.
BOI TOY Studio: um espaço seguro para corpos negros e trans
Os fotógrafos negros e transmasculinos BEARBOI e Wordsworth Musinguzi deram vida ao BOI TOY Studio, um refúgio artístico onde a representatividade é central. Localizado no Northrup King Building, o estúdio não é apenas um lugar para criar, mas um espaço acolhedor para emergentes criadores negros, queer e trans expressarem sua arte e existências. Para eles, a fotografia vai além da imagem: é uma ferramenta que exige vulnerabilidade e pode ser usada para visibilizar o invisível.
Durante o Art-a-Whirl, BEARBOI e Wordsworth oferecem experiências únicas, como impressão ao vivo de fotos com uma impressora gigante, resgatando o valor do toque e do físico em tempos digitais. Além disso, promovem eventos que celebram homens trans negros, fortalecendo redes de afeto e potência.
Bee Makes Fart: transformando o lixo em arte queer
Bee Marshall, também conhecido como Bee Makes Fart, traz uma proposta irreverente e sensível. Inspirade pela ideia de que algo descartado pode se tornar belo, Bee utiliza objetos encontrados nas ruas de Minneapolis para criar obras tridimensionais que misturam humor, crítica social e identidade queer. Para Bee, assim como o corpo queer muitas vezes é visto como “lixo” pela sociedade, suas obras afirmam a beleza na reinvenção e na resistência.
Na Northeast Tree House, o público poderá contribuir com objetos para o “Junk Jar”, um projeto colaborativo onde o lixo de uns vira arte para todos, reforçando a potência da coletividade e da transformação.
Third-Eye Girl: criatividade que conecta e transforma
Nina El-Jabry, conhecida como Third-Eye Girl, é uma artista multifacetada que transita entre pintura, música, joalheria e curadoria cultural. Seu estúdio no 2010 Artblok é um verdadeiro oásis cósmico, refletindo seu olhar que busca equilíbrio entre luz e sombra, alegria e desafio.
Além de criar, Nina é ativista cultural, promovendo espaços para artistas BIPOC em Minneapolis. Ela acredita que a arte é um meio poderoso de construir conexões e imaginar futuros mais justos, especialmente para pessoas queer e racializadas. Sua mensagem para a comunidade é clara: sonhos são possíveis quando se tem paciência e amor pelo que se faz.
Rubenstein Studio: arte que celebra corpos e histórias queer e deficientes
Madison Rubenstein traz para o California Building uma obra profundamente ligada à sua vivência como pessoa queer e com deficiência crônica. Sua arte abstrata, que explora formas corporais fragmentadas e fluidas, convida à reflexão sobre pertencimento, sobrevivência e inventividade.
Para Madison, o ato de criar é um ato de resistência e cura, um modo de existir além das limitações impostas pela sociedade. Sua produção inclui pinturas, prints e objetos acessíveis, reforçando o compromisso com a democratização da arte e a solidariedade dentro da comunidade.
O impacto cultural do Art-a-Whirl para a comunidade LGBTQIA+
O Art-a-Whirl não é apenas uma celebração da arte, mas um espaço vital para a afirmação e visibilidade LGBTQIA+ em Minneapolis. Artistas como BEARBOI, Bee Marshall, Nina El-Jabry e Madison Rubenstein nos mostram que a arte pode ser um potente instrumento de acolhimento, resistência e transformação social. Suas trajetórias inspiram a comunidade a ocupar espaços, contar suas histórias e construir redes de apoio que ultrapassam as paredes dos estúdios.
Ao celebrar essas vozes diversas, o festival reafirma que a arte queer não é apenas expressão estética, mas um grito político e emocional, que fortalece identidades e desafia normas. Em tempos em que direitos e representações são constantemente ameaçados, eventos como o Art-a-Whirl são faróis de esperança e criatividade, iluminando caminhos para uma sociedade mais plural e inclusiva.
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