Muhsin Hendricks, considerado o primeiro imã abertamente gay do mundo, foi assassinado em um ataque direcionado próximo à cidade sul-africana de Gqeberha, anteriormente conhecida como Port Elizabeth, conforme confirmado pela polícia no último sábado. Embora as autoridades ainda não tenham determinado a motivação do crime, grupos de direitos LGBTQ+ estão pedindo uma investigação rigorosa para apurar a possibilidade de um crime de ódio.
Hendricks estava em um carro com outra pessoa quando um veículo bloqueou seu caminho na área de Bethelsdorp. Dois suspeitos encapuzados saíram do veículo e abriram fogo, atingindo Hendricks, que estava sentado no banco de trás. A polícia confirmou que um vídeo circulando nas redes sociais parece mostrar o ataque.
A International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association (ILGA) condenou o assassinato e pediu uma investigação completa. Julia Ehrt, diretora executiva da ILGA, expressou choque e preocupação com a possibilidade de que o crime tenha sido motivado por ódio.
Nascido em uma família muçulmana em Cape Town, Hendricks se casou com uma mulher e teve filhos antes de se assumir gay em 1996. Após o divórcio, ele se dedicou a promover a inclusão LGBTQ+ no Islã. Em 1998, ele começou a organizar encontros informais para muçulmanos LGBTQ+ em sua cidade natal e, em 2011, fundou a mesquita Al-Ghurbaah, que se tornaria um espaço seguro para muçulmanos queer e mulheres marginalizadas.
Hendricks também foi tema do documentário ‘The Radical’, lançado em 2022, e já havia falado sobre receber ameaças devido ao seu trabalho em prol dos direitos LGBTQ+. A África do Sul possui uma das taxas de homicídio mais altas do mundo, com 28.000 assassinatos registrados no ano anterior a fevereiro de 2024, segundo dados da polícia. As investigações sobre o assassinato de Hendricks continuam, sem que as autoridades tenham confirmado se o crime está relacionado à sua militância.
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