Campanha exige desculpas oficiais da polícia de Manchester por perseguição histórica à comunidade LGBTQIA+
O veterano ativista dos direitos humanos Peter Tatchell lançou um chamado direto e contundente: a polícia da Grande Manchester deve ser proibida de marchar no Manchester Pride deste ano, marcado para 23 de agosto, enquanto a força não apresentar um pedido público de desculpas pelas perseguições homofóbicas do passado contra a comunidade LGBTQIA+.
Em uma carta dirigida ao CEO do Manchester Pride, Mark Fletcher, Tatchell destaca que a polícia de Manchester foi uma das forças policiais mais homofóbicas do Reino Unido, especialmente durante o comando do chefe James Anderton, entre 1976 e 1991. Naquela época, a polícia realizava batidas em bares gays, detinha pessoas LGBTQIA+ por demonstrações de afeto, expunha suas identidades à imprensa e causava traumas tão profundos que alguns acabaram tentando o suicídio.
“Eles não estavam apenas cumprindo a lei, mas fazendo isso de maneira abusiva e muitas vezes ilegal. Apesar dessa perseguição grave, o atual chefe da polícia, Stephen Watson, se recusa a pedir desculpas”, afirma Tatchell.
Por que o pedido de desculpas é essencial?
Enquanto 21 forças policiais no Reino Unido, incluindo a polícia metropolitana de Londres e a de Merseyside, já reconheceram e pediram desculpas pelos abusos cometidos contra pessoas LGBTQIA+, a polícia de Manchester resiste. O chefe Stephen Watson argumenta que um pedido de desculpas poderia manchar o trabalho honesto dos policiais do passado e seria apenas simbólico, sem impacto real nas práticas atuais.
Contudo, Tatchell rebate essa justificativa, explicando que a demanda é por um pedido específico e direcionado aos atos abusivos e ilegais, não uma condenação total da instituição. “Outras forças policiais já fizeram isso voluntariamente. Por que a polícia de Manchester não pode? São muitos os casos documentados de abusos, como a batida de 1984 no bar Napoleon’s, onde 23 policiais tomaram nomes e endereços ilegalmente, fotografaram frequentadores e pisaram violentamente em seus pés. Várias vítimas foram expostas publicamente, perderam empregos e sofreram ataques de vizinhos homofóbicos.”
Manchester Pride e o papel da representatividade
Para Tatchell, a participação da polícia de Manchester no desfile de Pride sem um posicionamento claro e um pedido de desculpas é um desrespeito à comunidade LGBTQIA+. “O Pride não deve ser usado como plataforma de relações públicas para instituições que ainda não enfrentaram seu passado homofóbico. Manchester Pride deveria se alinhar com a luta por justiça e verdade, não com uma polícia que se recusa a reconhecer seus erros históricos.”
Este apelo traz à tona a importância da memória e da reparação histórica para fortalecer a representatividade e a segurança das pessoas LGBTQIA+ nas cidades. A ausência da polícia na marcha, enquanto não houver reconhecimento oficial das injustiças, simbolizaria um passo fundamental para um orgulho mais consciente e livre de opressões.
Assim, o debate em Manchester, Inglaterra, reforça a necessidade urgente de que as instituições se responsabilizem por seus atos passados e caminhem lado a lado com a comunidade LGBTQIA+ em um futuro de respeito e celebração genuína da diversidade.
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