in

Ativistas LGBTQIA+ africanos usam redes sociais para enfrentar leis coloniais

Comunidades queer em países como Zimbábue e Gana desafiam preconceitos e buscam visibilidade online contra a herança colonial
Ativistas LGBTQIA+ africanos usam redes sociais para enfrentar leis coloniais

Comunidades queer em países como Zimbábue e Gana desafiam preconceitos e buscam visibilidade online contra a herança colonial

No coração da África, ativistas LGBTQIA+ estão encontrando na internet uma poderosa ferramenta para desconstruir preconceitos e lutar contra leis coloniais que ainda criminalizam suas existências. Em países como Zimbábue e Gana, onde a herança da colonização britânica deixou marcas profundas nas legislações e nas mentalidades, a resistência queer encontra força nas redes sociais para expressar amor, identidade e direitos.

Queer no Zimbábue: resistência e fé em meio ao conservadorismo

Golden Moyo, pregador leigo numa comunidade rural do Zimbábue, decidiu romper décadas de silêncio e se assumir gay em 2018. Em um país onde atos consensuais entre pessoas do mesmo sexo podem levar a até um ano de prisão, sua coragem provocou reações violentas, inclusive protestos contra sua presença na igreja. Muitos ainda veem a homossexualidade como uma influência estrangeira, um tabu contra a cultura local e a religião.

Mas Moyo não se calou. Para ele, as redes sociais — Facebook, Instagram, TikTok e X — são uma extensão do púlpito, um meio essencial para espalhar uma mensagem de aceitação e desafiar a ideia de que a queeridade seria um ‘importado ocidental’. Durante a pandemia, quando as reuniões presenciais foram interrompidas, percebeu que a internet permitia conectar e fortalecer uma comunidade invisibilizada.

Gana: música, ativismo e o peso do colonialismo

Na África Ocidental, Gana mantém leis herdadas da colonização que criminalizam relações homoafetivas, com penas de até três anos de prisão. Recentemente, um projeto de lei ainda mais rigoroso, conhecido como Anti-LGBT Bill, intensificou o clima de repressão.

É nesse cenário que Angel Maxine, a única musicista trans e ativista queer aberta do país, tem usado sua arte e redes sociais para protestar e educar. Sua música “Kill the Bill” é um grito contra a opressão, enquanto suas conexões digitais com outras pessoas no país mantêm viva a chama da luta, mesmo do exílio em Berlim, Alemanha.

Segundo Alex Kofi Donkor, líder da organização LGBT Rights Ghana, o engajamento online é fundamental para derrubar o mito de que a diversidade sexual e de gênero é algo estranho à cultura africana. Os conteúdos produzidos por pessoas LGBTQIA+ ganenses desafiam o status quo e oferecem narrativas de amor e pertencimento.

Desafios e esperança na luta digital

A visibilidade conquistada nas redes, no entanto, não vem sem riscos. Campanhas de solidariedade, como a #ShowGhanaLove, geraram reações violentas que, paradoxalmente, fortaleceram movimentos anti-LGBT no país. Ainda assim, ativistas como Angel Maxine encaram as redes como espaços seguros e fundamentais para o diálogo, mesmo diante dos ataques.

Para ela, a cultura africana genuína não é o ódio, mas o acolhimento e o amor. Suas palavras ressoam também no Zimbábue, onde Golden Moyo mantém a esperança de que, apesar das barreiras institucionais e sociais, a voz da comunidade LGBTQIA+ será cada vez mais ouvida e respeitada.

Na luta contra os resquícios do colonialismo, essas vozes digitais são faróis de coragem, mostrando que a diversidade é parte intrínseca do continente e que a liberdade de ser quem se é não pode mais ser silenciada.

Que tal um namorado ou um encontro quente?

Ícone pop estreia evento imperdível em Dress To Impress, o jogo de moda mais amado do Roblox

Lady Gaga traz sua irreverência para o jogo Dress To Impress no Roblox

Ataques políticos não intimidam artistas drag que promovem diversidade e alegria na infância

Drag queens na mídia pública: resistência e representatividade LGBTQIA+