Comunidade se une para enfrentar ataques transfóbicos e homofóbicos nas eleições legislativas dos EUA
O ano de 2025 foi um período sombrio para a comunidade LGBTQIA+ nos Estados Unidos, marcado por ataques diretos aos direitos trans, cortes em saúde e educação, além de perseguições e deportações de pessoas queer. Com as eleições legislativas de 2026 se aproximando, ativistas LGBTQIA+ estão canalizando essa raiva queer para transformar o cenário político e derrubar políticos homofóbicos e transfóbicos que ainda ocupam cargos públicos.
Um cenário político hostil para a comunidade queer e trans
Os ataques à comunidade LGBTQIA+ vieram de todas as esferas do governo, especialmente durante o mandato de Donald Trump, que promoveu ordens executivas para reforçar o binarismo de gênero e restringir direitos das pessoas trans, como a proibição da participação de mulheres trans em esportes femininos. A Suprema Corte dos EUA, com três membros indicados por Trump, confirmou essas medidas, como a exigência do gênero binário em passaportes e a proibição de cirurgias de afirmação de gênero para jovens trans no Tennessee.
Políticos notórios por seus posicionamentos anti-LGBTQIA+ como Lindsey Graham, Nathaniel Moran e Michael Guest buscam reeleição, mesmo enquanto enfrentam denúncias e críticas dentro e fora de suas bases eleitorais. Frente a isso, a comunidade queer e trans está determinada a usar o voto como arma para expulsar esses representantes transfóbicos do Congresso.
A importância das eleições estaduais e o poder do voto queer
Além das disputas federais, as eleições estaduais desempenham papel fundamental na garantia de direitos LGBTQIA+. Estados considerados “azuis”, como Nova York, Illinois e Colorado, se posicionaram como refúgios seguros para pessoas trans, protegendo o acesso a cuidados de saúde afirmativos e direitos civis. Porém, essas garantias são constantemente ameaçadas por ações judiciais e ataques de estados “vermelhos”.
Organizações como a New Pride Agenda (NPA) em Nova York trabalham para ampliar recursos e aprovar legislações que garantam direitos essenciais, incluindo saúde universal e proteção contra o bullying para pessoas LGBTQIA+. “Eleições determinam se políticas relacionadas à comunidade LGBTQIA+ são vistas como necessárias ou opcionais”, afirma Elmer Flores, gerente de políticas da NPA.
Desafios e estratégias para garantir o acesso ao voto
Garantir que pessoas LGBTQIA+ possam votar é um dos maiores desafios, especialmente diante de ameaças como a tentativa de cancelamento do voto por correio, usado por cerca de 30% dos eleitores americanos, incluindo muitos trans que tiveram que se mudar para estados mais acolhedores. Organizações como OutVote focam em engajar jovens queer e trans da Geração Z, utilizando redes sociais e eventos presenciais para ampliar a participação eleitoral.
O ativismo político queer também enfrenta a complexidade da relação com os partidos tradicionais, que nem sempre defendem plenamente os direitos trans. Por exemplo, figuras como Gavin Newsom e Pete Buttigieg já manifestaram opiniões controversas sobre a participação de atletas trans em competições femininas, enquanto o histórico do Partido Democrata em relação a trabalhadores sexuais, muitos deles LGBTQIA+, ainda é visto com ceticismo.
O papel da comunidade queer nas lutas políticas e sociais
Mesmo diante das dificuldades, a comunidade LGBTQIA+ permanece na linha de frente das lutas por justiça social, direitos civis e inclusão. Grupos como o New Moon Network educam e mobilizam sex workers queer e trans para que sua voz seja ouvida nas urnas e na sociedade. “Nossa esperança é que o papel dos trabalhadores sexuais na resistência e na segurança comunitária seja reconhecido”, afirma Savannah Sly, co-diretora da organização.
As primárias em estados com histórico de legislações anti-trans, como Arkansas, Carolina do Norte e Texas, serão um termômetro importante para medir o engajamento e a força política da comunidade LGBTQIA+ em 2026. “Esses esforços garantem que nossa comunidade esteja energizada para participar do processo eleitoral, da defesa de políticas e da construção de poder para proteger nossos direitos”, conclui Kei Williams, diretora executiva da NPA.
Reflexão final
A mobilização da raiva queer para as eleições de 2026 revela uma comunidade que, apesar de tantas adversidades, se recusa a ser silenciada. É um momento de reafirmar que a política é também um espaço de resistência e afirmação da diversidade. Para o público LGBTQIA+, essas eleições não são apenas uma disputa por cadeiras, mas uma batalha pela sobrevivência, dignidade e visibilidade em um país que ainda luta para reconhecer seus direitos.
O engajamento político da comunidade queer e trans, especialmente dos jovens, é um sopro de esperança que pode transformar o cenário político norte-americano e inspirar movimentos ao redor do mundo. Mais do que votar, é sobre construir coletivamente um futuro onde a diversidade seja celebrada e respeitada em todas as esferas da vida.